Meus interesses:
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- Neurociência
- Antropologia
- Origem da vida
- Teoria da Evolução
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- Relativismo Religioso

Outros interesses:
- Escrever artigos científicos
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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Por que existe o amor - A explicação científica é a verdadeira - Parte II

Em meu artigo "Por que existe o amor? A explicação científica é a verdadeira" - http://nepsicoreli.blogspot.com.br/ - eu fui muito objetivo na questão do porquê existe o amor e por isto resolvi escrever esta continuação pois, tenho certeza, muitas pessoas poderiam perguntar ou perguntaram: "Mas o amor é só isto?". Onde está ou onde estão os amores avassaladores de romances e filmes? E aqueles mais reais mas mesmo assim que as pessoas viveram ou vivem em completo êxtase psicológico ou mental, apaixonados pelos (as) parceiros (as) a ponto de, como já até ouvimos falar, de estarem esquecidas de si mesmas? Onde está aquele amor tão profundo e perseguido por muitos?

E aqui se poderia escrever páginas e mais páginas sobre este sentimento tão sublime, ligado a muitos outros, como até hoje se escreveu na literatura e sempre se escreverá, como se contou em histórias, filmes, literatura, entre pessoas de boca a boca, etc.

Mais uma vez a nossa inteligência, consciência, os sentimentos e as emoções são os donos da história.

Se um animal, um cão, sente vontade de beber água e vai até o recipiente da casa para satisfazer essa vontade, ele o faz conscientemente? Não, agiu automaticamente. Mesmo António Damásio já mencionou em "O Mistério da consciência" que os mamíferos possuem alguns segundos de consciência mas ela não é abrangente como a nossa. Talvez alguns segundos de consciência os auxiliem a realizarem comportamentos complexos que nós mesmos às vezes admiramos e dizemos: "Poxa, como é inteligente o meu cão".

E aqui reside a força da consciência: se o amor é o sentimento mais cultuado e admirado, o mais desejado, procurado por nós para vivenciá-lo para as nossas vidas, sendo crucial para formarmos famílias, termos os (as) parceiros (as) a dividirmos tudo, vivermos e construirmos uma vida inteira a dois, por que não tê-lo?

Vivenciamos um grande amor pelo nosso bem-estar, porque queremos ser felizes.

António Damásio cita a procura do bem-estar e da felicidade em "E o cérebro criou o homem",¹ como se fossem os maiores objetivos da nossa sobrevivência justamente porque possuímos consciência. Não somos seres só para comermos, dormimos, bebermos água e reproduzirmos sem utilizarmos o sexo para o nosso bem-estar. Somos mais, conseguimos mais com a consciência no comando. Veja o que ele diz: "Se o cérebro prevaleceu na evolução porque oferecia um maior âmbito para a regulação da vida, o sistema cerebral que levou à mente consciente prevaleceu porque oferecia as mais amplas possibilidades de adaptação e sobrevivência com o tipo de regulação capaz de manter e expandir o bem-estar".²

Falei deste assunto também em "O porquê dos nossos sentimentos – Sobre ideias e conclusões que cheguei antes de António Damásio" - http://argosarrudapinto.blogspot.com.br/2014/03/o-porque-dos-nossos-sentimentos-sobre.html.

Então, qual seria o bem-estar gerado por um grande amor? Em que "nível" de felicidade duas pessoas não conseguiriam com isto?

É admirável como a natureza funciona: se você analisar os fenômenos da Física, da Química e da Biologia, e mesmo de todas as outras ciências derivadas destas, verá que eles são "frios".³ Eles acontecem, influem, cessam, continuam, etc., segundo leis que não temos controle e inconscientemente, ou seja, existem por existirem, porque a natureza é do jeito que é. Mas nós, produtos dela própria, possuímos juízos de valores, moral, ética, humanidade... Podemos sentir, perdoamos, zelamos, etc., ou seja, o contrário da "frieza" e da indiferença de como agem os fenômenos científicos comuns, porque são inconscientes.

Aqui você talvez acabe caindo no problema que Damásio denominou "Qualia I": [...] "o conceito de qualia refere-se aos sentimentos que são parte indissociável de qualquer experiência subjetiva..." [...] "Nenhum conjunto de imagens conscientes, independentes do tipo e do assunto, jamais deixa de ser acompanhado por um obediente coro de emoções e consequentes sentimentos". (4)

E o amor é a expressão máxima desses sentimentos.


Notas:

1 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 440 p.

2 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 81.

3 - Pensei pela primeira vez neste assunto assistindo ao filme "O Destino do Poseidon", na produção de 1972, com Gene Hackman, Ernest Borngine, Roddy McDowall e Leslie Nielsen. Nele, um navio de turismo vira de cabeça para baixo, ou seja, com o casco para cima devido a uma onda gigante no oceano, e um grupo de pessoas começa a subir para o casco pois ele vai afundando e a água subindo por dentro em direção ao casco também. Foi naquele momento que pensei: "A água vai subindo e não é porque existem idosos, uma criança, jovens e adultos que ela irá parar. Ela sobe através de salas, quartos, corredores, etc., porque a natureza é fria, porque age segundo leis naturais e apenas nós é quem prezamos, valorizamos os nossos semelhantes, sentimos".

4 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 310.

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Parte I: Por que existe o amor - A explicação científica é a verdadeira: http://nepsicoreli.blogspot.com.br/

quarta-feira, 19 de março de 2014

O porquê dos nossos sentimentos - Sobre ideias e conclusões que cheguei antes de António Damásio

Primeiro quero dizer que é uma honra para qualquer escritor de divulgação científica ver algumas de suas ideias concordando com outras de um cientista de renome internacional como o neurologista e neurocientista António Damásio, no livro "E o cérebro criou o homem".Longe de qualquer comparação porque não tenho a experiência de mais de trinta anos como professor e pesquisador em uma universidade como ele, sou grato a este incrível cientista que investiga a consciência humana, um assunto que me fascina.

Escrevi dois artigos, "O porquê dos nossos sentimentos"2 e "O porquê dos nossos sentimentos – II",3 que foram publicados pela primeira vez na revista eletrônica Cérebro&Mente – www.cerebromente.org.br – em 2001 e 2002, respectivamente, e, depois, publiquei-os em um blog meu, “Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências”,4 em 2008.

Fazendo um pequeno resumo eu disse neles que os nossos sentimentos e emoções serviram e foram essenciais à perpetuação da espécie humana na Terra. Eles sempre foram e são a força de ligação entre pais e filhotes, em aves e mamíferos, basicamente, e em nós humanos também, nascidos sem nenhum preparo para enfrentar o mundo que nos rodeia, e, portanto, é uma ligação imprescindível para os genitores protegerem e ensinarem esses pequenos e indefesos animais até a maturidade.

Também falei que usamos os sentimentos, emoções, inteligência e a consciência para transpormos, para vivermos em um nível funcional sistêmico5 mais alto do que apenas dormir, beber, comer e termos filhos, embora não coloquei esta denominação como está aqui. Buscamos prazeres, podemos sonhar e irmos atrás dos nossos sonhos, temos desejos.  Somos livres para escolhermos caminhos dos mais diversos em nossas vidas, de tentarmos o que quisermos.

Isto é o próprio livre-arbítrio ou algo muito parecido com ele, uma conjunção dos quatro fatores acima. Veja como exemplos: (Nós) Sabemos que (nós) podemos. (Nós) Queremos e (nós) vamos atrás. "Nós" e "Eu" são a parte da consciência implícita em nossas ações (podemos, faremos, etc.). Veja que além de uma lógica, de uma previsão lógica, existem nestas frases muitos sentimentos e emoções.

Em meu artigo “O porquê dos nossos sentimentos” eu digo: "… Temos a capacidade de procurar sexo mesmo sem a intenção de procriar. Procuramos porque gostamos, porque faz bem, porque nos satisfaz. Chegamos ao ponto de nos deliciar com um prato só para nos satisfazer mesmo sem estar com fome, ou seja, sem a necessidade momentânea de sobrevivência; por puro prazer. Procuramos coisas como viajar, sair, encontrar alguém para gostarmos, nos divertirmos com amigos, porque faz parte do nosso lazer, do nosso bem-estar".

Depois completo: "Quero dizer que vivemos procurando atividades, conquistas, coisas que nos fazem bem, para a nossa felicidade e bem-estar. Se ora não conseguimos temos outras chances, temos nosso amor-próprio e continuamos a viver, a procurar. Temos fé,6 esperança, sonhamos".

No final do artigo: " … E sobrevivência para o ser humano engloba, além de sua natureza racional, tudo o que proporciona satisfação, felicidade, prazer, conquistas, etc. 'Estados' correlacionados com nossas emoções e sentimentos. Retire tudo isto dos humanos e verá a nossa espécie desaparecer."

António Damásio, português radicado nos EUA, no livro "E o cérebro criou o homem", entra no conceito cibernético e/ou da Teoria dos Sistemas, de homeostase, que é a propriedade dos seres vivos, ou de qualquer outro sistema aberto, de manter variáveis internas dentro de certos limites, regulando a si próprio deixando-o estável, sem se destruir, através de mecanismos regulatórios. Aliás eu sempre estranhei o fato dos cientistas desprezarem este conceito e outros da Cibernética porque qualquer forma de vida se mantém como tal utilizando a regulação biológica, química e física. São fenômenos estudados por esta importante e não valorizada disciplina do conhecimento humano, e tão bem explicada nos antigos e clássicos livros como, por exemplo, "Introdução à Cibernética", de W. Ross Ashby e "Teoria Geral dos Sistemas" de Ludwig van Bertalanffy.

A natureza atribui valores. Atribuímos valor inconscientemente e também conscientemente ao que nos faz bem, embora existam variações do que seja bem de umas para outras pessoas. Segundo Damásio: " …Tanto a homeostase básica, orientada de forma não consciente, como a homeostase sociocultural, criada e orientada por mentes conscientes reflexivas, atuam como zeladoras do valor biológico".7 Por sociocultural entende-se o nosso meio ambiente social contendo tudo aquilo ao nosso redor e/ou a nossa ação que nos levará a um mal ou bem.

Esse conceito de valor, ou valor biológico, é importante aqui porque está relacionado diretamente ou indiretamente se um organismo poderá sobreviver ou não. E não só isto: se uma mudança fisiológica e consequentemente mudança (s) em uma ou mais funções, mudará todo um comportamento, ou vários deles, se serão vantagens evolutivas ou não.

Para ter uma ideia sobre valor em nosso cérebro, como exemplo, a neurociência, nas palavras novamente de Damásio " … identificou várias moléculas químicas relacionadas, de algum modo, com os estados de recompensa ou punição e assim, indiretamente, associadas ao valor. Algumas das moléculas mais conhecidas serão familiares a muitos leitores: dopamina, norepinefrina, serotonina, cortisol, oxitocina, vasopressina [...] A neurociência também identificou uma série de núcleos cerebrais que fabricam essas moléculas e as distribuem a outras partes do cérebro e do corpo (os núcleos cerebrais são aglomerados de neurônios)".8

Para ele, valores em nós humanos regulam desde funções micros, automáticos, e também os macros relacionados a uma vida rica em bem-estar.

Não existe ser humano nenhum que não pense em seu próprio bem-estar. Por mais diferentes culturas a que pertencem, por mais diferentes sejam as vidas das pessoas, por tudo o que existe para procurar e melhorar o bem-estar, etc., esta sempre foi e será uma meta a alcançar.

Nos primeiros parágrafos de “O porquê dos nossos sentimentos” eu falo da nossa procura por sexo sem a necessidade de procriação para o nosso prazer, para nos sentirmos bem, que são faces do nosso bem-estar. Digo também de comer alimentos saborosos, sair, diversão, e, se você fizer uma lista de tudo o que procura e faz no seu dia a dia, em sua vida, ficaria exausto de tantas situações a descrever.

Veja, sentimentos, emoções, inteligência e consciência nos fazem indivíduos libertos a experimentarmos, procurarmos, etc., porque, como eu já disse: "…Retire tudo isto dos humanos e verá a nossa espécie desaparecer". Na verdade não seríamos nem humanos sem tudo isto.

Resumindo, a minha frase: "…E sobrevivência para o ser humano engloba, além de sua natureza racional, tudo o que proporciona satisfação, felicidade, prazer, conquistas, etc.", é a nossa sempre procura de bem-estar que Damásio cita em seu livro "E o cérebro criou o homem".


Notas:

1 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 440 p.


In english: “Our feelings. Why do we have them? - (2)”


5 - Na falta de um termo melhor ou apropriado. Considere o conjunto total de matéria, energia, informação e, principalmente, a qualidade dessa informação de um ser vivo. Alguns indivíduos podem possuir menos massa, gastar menos energia que outros, mas, tendo uma quantidade e/ou qualidade de informações superiores, em que pesem mais estes fatores, "por definição" vivem em um nível funcional sistêmico mais alto. É o caso dos humanos e das baleias. Elas possuem mais massa, gastam mais energia e possuem um cérebro maior que os nossos, mas, a nossa qualidade de informação é tão maior, que no conjunto total desses fatores, o nível funcional sistêmico, faz com que fiquemos em primeiro lugar. Muitos dinossauros eram pesados mas os cérebros bem pequenos os tornavam pobres em nível sistêmico, e, por outro lado, pequenos mamíferos como os roedores, com massas e muito menor gasto de energia que animais maiores, poderão ter, devido às suas vivacidades e inteligências, um nível funcional sistêmico mais elevado.

6 - Pode ser mesmo a fé em entes sobrenaturais (na verdade errônea) ou o acreditar e a fé em nós mesmos. Faço uma distinção clara entre elas em vários artigos meus, como por exemplo: 
"O acreditar e a fé como vantagens evolutivas"
"Consciência, Amor-Próprio, Fé e Transcendência"

7 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 43-44

8 - 1 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 67


quarta-feira, 5 de março de 2014

A Teoria da Relatividade não é difícil de entender - A relatividade da massa

Se você viajar a uma velocidade próxima a da luz, 300.000 km/s, sua massa, seu peso, aumentará muito e tenderá ao infinito quanto mais próximo chegar a esta velocidade! Ou seja, você nunca chegará!
Ficção científica? Não, realidade!
Para começar a explicar mais este fenômeno intrigante da Teoria da Relatividade do Einstein, direi algo importante sobre isto: sua massa aumenta não porque a quantidade de átomos ou moléculas aumentará em seu corpo. Ela aumenta devido à medida de como é realizada. Quando é realizada em uma balança comum você está em repouso em relação a ela.
É algo perturbador tentar intuir como tudo isto acontece mas podemos utilizar para este propósito a equação da relatividade formulada por Einstein:  E = m.c2.
Ela relaciona diretamente massa com energia e é uma das mais famosas equações, senão a mais, da Física.

Energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.
A luz possui uma velocidade constante em um mesmo meio e, como eu disse no outro artigo, “A relatividade do tempo”, neste blog, esta propriedade é fundamental na relatividade, nos fenômenos relativísticos. Não fosse assim a Teoria da Relatividade não existiria.  
O quadrado da velocidade da luz, c2, é também constante, um número, um invariante. Grande mas invariante.
Realizando uma pequena mudança dos termos da equação E = m.c2, passando a massa para o lado esquerdo temos:
E  =  c2        (1)
m

Isto quer dizer que a divisão entre a energia pela massa, em qualquer evento, é constante. A energia se apresenta de uma forma geral, podendo ser eletromagnética, nuclear, cinética, etc. Em termos de qualidade ou natureza, a massa também, mostrando a força desta equação na compreensão dos fenômenos do universo.
Estou falando de uma viagem espacial, ou seja, de energia de movimento ou cinética. Aumentando a velocidade da nave, a energia E aumenta e, para  a equação (1)  se manter constante, m deverá aumentar também.
Fazendo uma comparação com algo muito simples para você entender, pegue o resultado de uma fração qualquer, como 10/2 = 5. Se o valor 10 aumentar para 15 e se o resultado da fração terá que continuar 5, constante, o denominador 2 deverá aumentar também, neste caso, para 3.

Mais uma vez vemos o quão importante é saber que a velocidade da luz é sempre uma constante em um mesmo meio. Se não fosse assim a massa m poderia se manter constante... Da equação (1), E variando com c, e consequentemente c ao quadrado também variando, a massa poderia ficar constante, mas não é o caso.

terça-feira, 4 de março de 2014

A Teoria da Relatividade não é difícil de entender - A relatividade do tempo

'Proposta': este é um texto para estudantes do nível médio e dos primeiros anos de graduação em exatas.

Se você entrar em uma nave e viajar a uma velocidade muito próxima a da luz, durante, por exemplo, um ano, e depois retornar, verá que aqui na Terra se passaram milhares de anos. O quanto de tempo passará no planeta, em qualquer viagem, dependerá do quanto você estiver mais próximo da velocidade da luz que é de 300.000 km/s. Poderá ser de até milhões de anos!

E outro fato: quem observar a sua nave daqui verá que é mais curta em comprimento do que quando ela estava no momento da decolagem, parada - em repouso!

Ficção científica? Não, realidade! 

Tenho certeza que mais de 99% das pessoas por aí não sabem disso e se você disser um número maior ainda não acreditará.

Pois os dois fatos acima descritos por mim são a relatividade do tempo e a relatividade do espaço que explicarei neste blog.

Porque tudo ocorre da maneira quase inconcebível na relatividade, irei primeiro e brevemente falar da natureza do tempo. Veja, ao observar a oscilação de um pêndulo, você sente "que algo se passou" nessa oscilação. Este "algo" ou "alguma coisa" é o próprio tempo e todas as pessoas sentem o mesmo. E se o pêndulo ficar parado - em repouso - em relação a você, o próprio fato de observa-lo irá fazê-lo raciocinar ou perceber este fato, e isto também contribuirá para que você sinta a passagem do tempo. E por último, se você se desprender deste mundo e começar a imaginar cenas, pensar, sentirá também a passagem "de algo" que é o tempo, enquanto a sua mente troca de cenas. Acontecerá também se você se fixar em uma imagem.

Agora peço a você prestar atenção no pêndulo acima. Para você observa-lo faz-se necessário que a luz reflita nele e venha até aos seus olhos, se não, não enxergaria nada e ninguém também não veria nada em nosso mundo: pessoas, objetos, céu, ruas, tudo!

Dois americanos, Michelson e Morley, descobriram algo muito estranho em relação à luz, no final do século XIX: a velocidade dela não pode, literalmente, ser adicionada e nem subtraída da velocidade do emissor. E se você tiver sempre isto em mente, entenderá toda a relatividade do tempo e do espaço¹. Eles ganharam o Nobel em 1907, sendo os primeiros estadunidenses a receberem esse prêmio.

Veja, se você está em um carro a 100 km/h, e alguém nele atira um objeto no sentido do movimento, para frente, a velocidade desse objeto, para alguém que esteja parado - em repouso - será a soma da velocidade do carro mais a velocidade do objeto. Se este for lançado a 20 km/h em relação ao carro, sua velocidade em relação à pessoa em repouso - utilizarei este termo de agora em diante -, será de 120 km/h, ou seja, a soma das duas velocidades. Por outro lado, se a pessoa no seu carro atirar o objeto para trás, a velocidade dele, em relação a quem estiver em repouso, será de 80 km/h, a subtração das velocidades. Isto se aplica a objetos comuns, mas não com a luz e somente ela (e todas as  outras ondas eletromagnéticas).

Então pensemos em uma experiência com um emissor de luz, no laboratório de uma nave que viaja ao longe, com uma velocidade próxima a da luz, da esquerda para a direita, estando você em repouso em relação a ela e com um instrumento preciso - um ótimo telescópio - para  ver uma experiência.  O emissor se encontra na mesma distância entre as paredes opostas, uma a sua direita no sentido do movimento e outra à esquerda. Existem dois pêndulos prestes a serem colocados em movimento. O emissor de luz, gerando dois sinais em sentidos opostos,  um para a direita e outro à esquerda, colocará os pêndulos em movimento assim que chegarem a dois dispositivos para aciona-los. Um observador, uma pessoa, dentro da nave, e por estarem as duas paredes na mesma distância do emissor, verá os dois pêndulos iniciarem os seus movimentos ao mesmo tempo, digamos, às doze horas. Mas para você,  o feixe para  a direita, a 300.000 km/s, não podendo ser adicionado à velocidade da nave, estaria perseguindo o mecanismo que está na parede à direita, no mesmo sentido do movimento da nave. Mas o feixe para à esquerda não podendo ser subtraído da velocidade da nave, iria ao encontro do mecanismo! Resultado: o pêndulo de trás começa a oscilar primeiro que o da frente! Um antes das dozes horas e o outro depois.

Veja, você observa dois fenômenos físicos ocorrendo de uma forma bem distinta daquela da pessoa da nave. Como isto é possível? São os mesmos fenômenos!

Se a velocidade da luz pudesse ser adicionada à do emissor, o feixe para a  direita seria  "arremessado" para frente e o da esquerda subtraído, tendo uma compensação e os dois acionariam os dispositivos ao mesmo tempo. Mas a luz não segue a lei de adição e subtração de velocidades dos objetos, corpos a que estamos acostumados. Eu não colocarei aqui algumas contas de adição e subtração dessas velocidades, mas elas dariam certo, ou seja, a luz acionaria os pêndulos ao mesmo tempo para você também. E se eu  não as colocasse, o que demonstra ser a realidade da luz e das ondas eletromagnéticas, realmente, nas contas, seria mostrado que um pêndulo começaria o seu movimento antes do outro.

Ilusão de ótica? Não. As coisas são assim, o universo é assim porque a luz é assim... Todos os fenômenos físicos, e, generalizando, químicos, biológicos etc., tudo o que observamos e com isto construímos a tecnologia,  as ciências, etc., são dependentes dessas características dos fenômenos eletromagnéticos ou, se você quiser também, se considerar a luz como constituída de fótons.

E a sensação do "passar" o tempo para o observador da nave e você? Seriam diferentes sim! Digamos que o emissor de luz seja acionado manualmente, por um botão, pela pessoa da nave. Ela terá a sensação de passar o tempo do seguinte modo: após apertar o botão se passa um tempo; depois os pêndulos começam a se mover e daí para frente ela sente esse passar do tempo observando o movimento oscilante dos dois. E você primeiro também espera o tempo decorrer, mas até que o pêndulo da esquerda passa a se mover; depois sente o tempo passar até o segundo se mover, para depois sentir, ver, observar, os dois oscilando. Diferente não?

Em nosso mundo cotidiano, com objetos se movendo com velocidades bem inferiores a da luz, fica difícil, se não impossível, perceber essas diferenças, mesmo se se observar os veículos mais rápidos em que um ser humano já esteve: as naves Atlantis, Endeavour, etc. ou os foguetes Apollo para a Lua, que viajavam a +/- 30.000 km/h, correspondendo a 8,33 km/s. Você na Terra não perceberia a diferença de tempo entre os movimentos iniciais dos pêndulos, ou seja, eles começariam a oscilar como  o sujeito na nave estaria sempre os vendo: ao mesmo tempo.

A velocidade da luz é constante em um mesmo meio. Ela é menor na água, em nossa atmosfera, enfim, em meios onde há matéria e que ela possa atravessar, mas no vácuo é de 300.000 km/s. Por isto, a Física consagrou a sua representação algébrica como c, uma constante.

Conclusão: o tempo "se passa" diferentemente para objetos, animais, pessoas etc., dependendo da velocidade de uns em relação aos outros. E existem equações relacionando, para cada velocidade entre dois observadores, ou mais, a diferença de tempo entre eles.


Nota:

1 - Em qualquer livro da Teoria da Relatividade você irá ver que ela está apoiada no fato da luz ser uma constante universal, como eu disse aqui, e que as leis da Física são as mesmas para qualquer referencial inercial que se mova em velocidade constante em relação a outro. É o mesmo que dizer que qualquer experimento feito em um referencial desses poderá ser realizado também em outro. Inclusive a própria Terra pode ser considerada como tal se desprezarmos a gravidade e a rotação em torno do seu próprio eixo.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Como somos pequenos em relação ao nosso planeta Terra e como é grande o nosso poder de destruição, ou a estranheza do quadrado de 90km de lado!

1) Nesta postagem vou falar em muitos números e espero não cansar ninguém. No final apresento os cálculos que fiz, mas recomendo só para quem gosta de matemática.

O artigo não é longo, é dividido em duas partes. Os cálculos formam uma terceira parte, mas não é tão necessário querer entendê-los. Mas tenho certeza que no final deste artigo vocês terão uma surpresa.

Imaginem então que vocês fizessem um quadrado de 1m de lado, ou 1m² de área, e colocassem ali uma pessoa. Mas vocês também fariam outros ao lado deste, com a mesma área, e colocando também uma pessoa em cada m², até atingirem um comprimento de 90.000 metros, ou 90 km. Em ângulo reto com esta fileira de 90.000 pessoas, vocês também fariam a mesma coisa até chegarem a 90.000 metros com 90.000 pessoas. Isto seria os dois lados de um quadrado gigante, riscando o chão em pequenos quadrados de 1m de lado.

Se cada lado desse quadrado gigante possui 90.000 pessoas, qual seria a  quantidade de pessoas no total, preenchendo todo o interior desse superquadrado? Seria 90.000 vezes 90.000 que daria 8 bilhões e 100 milhões de pessoas, muito mais que a atual população mundial que é hoje de aproximadamente 7 bilhões de pessoas.

Acho muito estranho TODA a população da Terra, de bebês a idosos, preencherem só um quadrado de 90 km de lado, com cada pessoa ocupando um pequeno quadrado de 1m²! Parece que existe algo errado aí, mas não, o cálculo está certo. Eu já o havia feito há quinze anos e depois fiz no Orkut utilizando um quadrado de 80 km de lado, que poderia conter 6 bilhões e 400 milhões de pessoas, a população da Terra de poucos anos atrás. Confesso que fiquei muito tempo para visualizá-lo, ou seja, a população do mundo dentro desse quadrado onde 90 km não é nada perto das dimensões da Terra.

E vejam, por exemplo, que a distância de São Paulo a Campinas, não em linha reta, mas por vias comuns, segundo o site www.geografos.com.br, é de 99 km. Em linha reta é menos, sendo então que a população mundial caberia em um quadrado que um dos lados iria praticamente de São Paulo a Campinas e só!

2) Esse superquadrado, agora não tão grande assim para o meu propósito aqui, possui uma área de 90 km x 90 km  =  8.100 km², muito menor que a área da Terra que é aproximadamente 510 milhões de km². Se você dividir o quadrado pela área da Terra verá que o nosso "super" corresponde a aproximadamente 0,0016% da área do planeta! Só!

Acontece que os minúsculos habitantes da Terra estão conseguindo destruir a vida toda no planeta, com o auxílio, claro, daquilo que seus ascendentes inventaram e/ou fizeram: indústrias poluentes, desmatamento, máquinas poluentes - sendo carros, caminhões... Etc. E esses habitantes também constroem indústrias poluentes, etc., ou seja, dão continuação...

Uma das melhores passagens de "Matrix", na minha opinião, infelizmente não veio de Morpheus, Neo ou Trinity.  Veio do agente Smith. Quando Morfheus é capturado, o agente diz claramente: "Você sabe quais os dois únicos organismos que destroem seu habitat, tiram tudo dele, para depois procurarem outro e fazer a mesma coisa? Os vírus e os seres humanos".

Pois bem pessoal, nós caberíamos em um quadrado de 90 km de lado, representando apenas 0,0016% da área de nossa Terra e mesmo assim temos o potencial de destruir toda a vida exuberante que vemos por aí.

Que força viral não temos, não é mesmo?!

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3) Os cálculos:

1º - Quadrado é lado vezes lado e colocarei em fórmulas sem símbolos, embora muito simples para alguns, facilita para outros. Ex.: uma sala quadrada de 9m de lado possui 9m x 9m = 81m² de área.


2º - A área da Terra é calculada por quatro vezes o número "pi" (3,1415), vezes o raio da Terra ao quadrado.

- O raio - distância da superfície até o centro - é, pesquise em dados físicos da Terra, aproximadamente 6.371 km;

- Então temos: 4 vezes 3,1415 vezes 6.371 ao quadrado, que dá aproximadamente 510.000.000 km².


3º - A relação entre as áreas do quadrado e da superfície terrestre:

- O quadrado já calculado é de 8.100 km²;

- Dividindo a área do quadrado pela área da Terra: 8.100/510.000.000, temos 0,00001588, que é aproximadamente 0,000016. Em porcentagem é só multiplicar por 100: 0,0016%.

É isto!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sobre o "bullyng" – Minha visão pessoal

O ser humano é essencialmente covarde. Se você não impor respeito perante as pessoas terá problemas. Digo de forma generalizada, mas não todas as pessoas, lógico, são covardes e seria difícil, senão impossível realizar uma estatística a este respeito. E muitos que não são poderão ter seus momentos de ódio ou raiva... Mas basta termos consciência aqui que, em qualquer sociedade, em qualquer grupo de pessoas, existirá uma percentagem muito grande de pessoas aproveitando da fraqueza dos outros. E este aproveitamento vem de várias formas.

Se uma pessoa é tímida, se não possuir respostas certas na hora certa, também terá problemas. Foi o meu caso quando da minha adolescência para a juventude, de quatorze aos dezessete anos. Eu gostava de ler, estudar, tirava notas altas na escola, mas isto gerava inveja, vinda de recalque, e o bullyng que sofri não foi com agressão física e sim verbal. Às vezes eu respondia, às vezes não e um dos pontos em que me pegavam era “você deixa de aproveitar a vida para só estudar”. E não era verdade porque, naquela época de 1977-78, eu frequentava as antigas “discotecas”, tinha minhas namoradas e os meus “rolos” com elas. Mas, quando querem aproveitar de você, quando não gostam de você, as pessoas covardes, maldosas, chegam a mentir para te pegar. E é aí que eu mais esquentava a cabeça.

Sofri deste mal até dentro da família, mas não irei expor detalhes por razões pessoais.

As pessoas covardes vivem testando as outras e quando encontram uma brecha, uma oportunidade de humilhação, fará sem dó. Mas eu tive uma chance. Reparava que quando alguém não tinha resposta para dar, fazia algo que nenhum pai ou mãe iria ensinar aos filhos, ou sabe lá se não: xingava! Sabe quando alguém não suporta mais a encheção de saco? Era isto e por mais errado ou não, se por muitas vezes me faltou educação, melhorei; com o tempo aprendi a ser polido em minhas imposições. E o mais incrível foi saber o quanto dentro da sociedade existia mais pessoas covardes do que eu imaginava na época.

O que eu sofri atrapalhou por anos os meus estudos porque tive uma crise existencial se o melhor da vida seria aproveitá-la ou levá-la a sério. Afinal eu era imaturo e tímido, inexperiente com a vida.

Só em 2008 conheci a palavra bullyng e me lembrei da adolescência. Sabia que havia algo errado naquelas encheções de saco, mas não imaginava a profundidade de como tudo aquilo iria me afetar. Na verdade me lembro da minha adolescência até hoje...

domingo, 26 de janeiro de 2014

Minhas frases

"A gente vai vivendo, presenciando fatos, adquirindo experiência de vida e chega uma hora em que você fala assim: "neste mundo eu duvido de tudo e ao mesmo tempo não duvido de nada". RS.
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"O possível e o impossível estão muito próximos desde que você seja louco como eu." 

Autoria minha. RS.
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"Eu gosto de ver todo mundo bem. Não conheço a inveja."
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"Eu poderia renascer 1.000 vezes em 1.000 locais diferentes que sempre apreciaria a solidariedade e o humanismo entre as pessoas."
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"O que é a vida? A vida é o que vc pode fazer com ela."
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"Não farei mal a mim mesmo; não farei mal ao meu semelhante; não farei mal aos animais e plantas. Todos nós somos filhos da Mãe-Natureza."
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"O ser humano é mais inteligente para arrumar problemas do que para resolver problemas."
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"No dia em que alguma chuva ácida, em alguma metrópole do planeta, provocar ferimentos nas pessoas a ponto de muitas delas não mais saírem de casa, não saírem para gastar no comércio, não forem trabalhar, superlotarem hospitais, etc., aí sim as autoridades obrigarão as indústrias a poluirem menos, usando filtros especiais de gases ou outros recursos, para diminuirem a poluição."
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"Eu não me enquadro em nenhum quadro social! Tenho amigo pobre, rico, intelectual, semianalfabeto, poderoso, sem poder algum, de todas as raças, de todas as cores.
Falo assim porque todos os quadros sociais possuem pelo menos uma restrição à alguma dessas pessoas que descrevi."
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"Eu sou físico e, portanto, sintonizado com o Universo. Isto faz de mim uma pessoa calma e serena."
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"Pelos meus ideais eu conquisto amizades, perco amizades, conquisto amigos e também perco amigos. Mas só eu sei que eu sou o melhor para mim."
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"Para a grande maioria das pessoas, Deus é o dinheiro; mas elas farão de tudo para dizerem que não."
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- "4% da riqueza mundial é o suficiente para amenizar as necessidades básicas do mundo."
Falo de uma "ecologia" humana:
Pensar que, no caso do Brasil, existem pessoas que são indiferentes ou não gostam da luta contra a pobreza. Acham simplesmente que ganhar ou não um pouco de dinheiro SÓ depende das pessoas em si e não tem a ver com os governos municipais, estaduais e federais, aumentando o número de empregos ao estimular a produção dos empresários - empresas e indústrias.
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- Eu sou pela diminuição das desigualdades sociais no Brasil sempre, desde que me conheço por gente, e, pasmem, aos 10 anos de vida, na escola, havia quem me chamava de "protetor dos fracos e oprimidos", "defensor dos pobres", etc., ou seja, um certo "bullyng"...
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