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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O que é o sentir? Sentimentos e emoções

Palavras-chave: neurociência, emoção, sentimento, neurotransmissores, ciência, religião

Você está feliz pois recebeu uma notícia de aprovação em um concurso e com isto a sua vida mudará para melhor. É acometido de uma intensa sensação de euforia e satisfação!

Acha que uma alma ou espírito lhe proporcionou esses sentimentos e emoções  ou o seu cérebro e o seu corpo estão em um “banho químico” de substâncias? Errou se pensou em alma ou espírito.

O processo se passou, resumidamente, dessa maneira: a notícia (informação) chega; é processada em regiões cerebrais onde todas as suas memórias com expectativas pelo concurso  (emoções e sentimentos) são evocadas; só então neurônios de outras regiões cerebrais são ativados; informações chegam por eles a glândulas endócrinas e mais hormônios são fabricados; estes percorrem seu corpo, relaxando músculos, enrijecendo outros, deixando seu corpo leve, em uma “suavidade” única que só uma felicidade intensa deixaria.

Endorfina, dopamina e noradrenalina são alguns desses hormônios, e, qualquer semelhança, no processo citado acima, com um computador, não é mera coincidência. Só que os computadores só possuem capacidades e vias para o primeiro parênteses do processo: informação. Então os “estados” de funcionamento dessas máquinas são limitadas comparados  a nós seres humanos.

Você já percebeu que este artigo possui uma visão materialista dos nossos sentimentos e emoções mas, pode acreditar, existem muitas evidências para que eu escreva assim. Existem experiências e literaturas demais para não levarmos em consideração algo revolucionário como esse.

No meu artigo “O cérebro isento de alma” (1) eu proponho ao leitor raciocinar ao contrário: por que colocar um sistema, o cérebro, que é o mais complexo do universo, no alto da cabeça dos humanos se uma alma, de um criador onipotente, onisciente e onipresente, fizesse todo o serviço da casa? Bastaria termos apenas carne e ossos na cabeça! Também digo que se uma alma ajudasse os processos físicos-químicos neuronais, estariam rebaixando esse conceito de absoluta para algo menor, o que também não condiz com a ideia de um criador absoluto.

Em outro artigo meu, “A base material dos sentimentos” (2), falo de uma revolução científica e filosófica devido às descobertas da neurociência, desde o funcionamento do neurônio até a  complexa máquina neural não só emoções e sentimentos mas também a nossa racionalidade.

Quanto a isso não vejo nenhuma discussão ou indagações a respeito do assunto, mas, conforme os estudos do cérebro avançam cada vez mais, cientistas, filósofos e pessoas comuns vão se apercebendo, vislumbrando uma nova etapa no modo de se pensar sobre o assunto.

Então, como o nome deste artigo pergunta, o que é o sentir, digo que é um conjunto de estados de nossa mente com o corpo, onde substâncias químicas proporcionam sensações agradáveis ou não, de bem-estar, prazer, dor ou um incômodo qualquer, em músculos, vísceras, etc. Como exemplo, a “suavidade” mencionada por mim, na falta ainda de uma definição porque a neurociência é uma ciência nova, de sua felicidade ao passar em um concurso.


Bibliografia:

1 - O cérebro isento de alma. O relativismo religioso - Como eu o vejo. Argos Arruda Pinto. Disponível em:

2) - A base material dos sentimentos. Cérebro & Mente. Argos Arruda Pinto. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html >. Acesso em: 19 out. 2016;
e
A base material dos sentimentos. Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências. Argos Arruda Pinto. Disponível em: < http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/ >. Acesso em 20 out. 2016.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O porquê dos nossos sentimentos: por que existem emoções e sentimentos negativos?

Palavras-chave: neurociência, emoção, sentimento, evolução, ódio, raiva, agressividade 

Resumo.  
Sentimentos e emoções serviram a nossa sobrevivência como espécies no planeta pois, como exemplo, o amor, o afeto e o carinho entre pais e filhotes foram e são uma ligação das mais importantes do reino animal, até os pequenos animais adquirirem maturidade para uma vida independente. Mas, e os sentimentos e as emoções negativas? Como estamos vivos hoje se antes da nossa espécie já havia ancestrais com poderosíssimas forças negativas em suas mentes? O que aconteceu e o que acontece? Estariam e estão na contramão da evolução?  Neste artigo eu discorro sobre dois deles, aparentemente desastrosos para quaisquer espécies, e dos mais comuns e intensos, o ódio e a raiva, e mais ainda, com o potencial de levar à agressividade, mas possuindo sim um papel indispensável na evolução se analisados cuidadosamente. A partir do desenvolvimento do sistema nervoso, do mais primitivo ao mais capacitado e complexo, o cérebro humano, mostro como foram fundamentais na preservação das espécies de muitos seres vivos. 

Introdução.  
Nos meus artigos “A base material dos sentimentos”, (1) “A base material dos sentimentos - II” (2), “O porquê dos nossos sentimentos” (3) e “O porquê dos nossos sentimentos - II” (4), também presentes em “Sistemas, teoria da evolução e neurociências”, (5) eu  escrevi sobre os sentimentos positivos como imprescindíveis na perpetuação dos seres humanos na Terra e reconheço a necessidade de se escrever sobre os sentimentos negativos porque também são reais, existem conosco e outros animais desde há muito tempo, e, aparentemente em uma grande contradição, tiveram suas importâncias na evolução. 

Agressividade 

Para começar voltarei no tempo justamente na época do próprio surgimento e desenvolvimento ulterior da vida. 

Imagine um cenário muito antigo, em um lago ou oceano, quando dos primeiros seres vivos unicelulares, com uma substância, uma fonte de calor, etc., ameaçando um grupo desses pequenos seres já providos de movimentos próprios. Alguns deles não só conseguiam perceber o perigo como também reagiam se movendo em direção e sentido opostos ao local dessas ameaças. Os outros simplesmente seriam destruídos por esses fenômenos tão comuns na natureza. 

Percebe-se por aqueles sobreviventes, dois fatores cruciais em suas reações: a percepção da ameaça e todo um sistema a colocar-lhes em movimento a um local seguro. O movimento desses heróis microscópicos reflete uma pequena dose de agressividade perante ao meio ambiente, uma não passividade frente ao perigo, um pequeno, mas verdadeiro embrião de um sistema nervoso a serviço de suas sobrevivências. 

Na alimentação por fagocitose, os pseudópodes da célula agressora englobam o material a ser ingerido. É um processo ativo, demonstrando de forma mais clara esse embrião de sistema nervoso pois há intenção, ataque e captura de uma “presa”, a saber, um simples corpo sólido ou outro ser vivo, mas indispensável à vida de quem o realiza. Imagine então um predador, um organismo multicelular, no qual a sua presa percebe a sua presença e tende a se afastar ou a se defender.  

Um processo desses preservado, aperfeiçoado, por genes, chegou até nós e o fazemos com requintes de crueldade para saborearmos uma boa porção de carne. Veja, bilhões de anos, inúmeras quantidades de predadores, presas, habitats e comportamentos inexistentes hoje ou não, levam a marca implacável da agressividade como denominador comum na sobrevivência das espécies. 

Mas a agressividade se revela de maneira diversa em seres vivos complexos não só com respeito à captura de presas, em ataques dos mais variados modos, etc. Dizendo do comportamento humano, você, ao colocar toda a sua motivação para terminar um trabalho atrasado, podendo até lhe causar a perda do emprego, estará descarregando uma grande dose de agressividade. Uma repreensão verbal a um filho de forma enérgica pois ele acabara de fazer algo errado também é uma agressão, embora diferente pois é de maneira consciente, respeitosa, ensinando-o diferenciar o certo do errado. 

E a agressividade entre pessoas levando à morte ou a danos físicos? Isso sempre existiu e realmente, em sua maioria, é contra a evolução. Mas, simplificando, todas as pessoas não ficam todos os dias se agredindo! Aqui, neste ponto do artigo, deve-se ter cuidado com ideias e colocações pois realmente o ser humano sempre viveu em conflitos e guerras, mas hoje somos mais de sete bilhões habitando a Terra. Outros valores e sentimentos predominaram.  

Raiva 

Uma emoção poderosa, causada por muitos fatores como não atingirmos um objetivo ou necessidade, termos uma contrariedade, não satisfazer um desejo ou termos uma ação frustrada, sentirmos nossos direitos desrespeitados, nos depararmos com injustiças, críticas, ofensas, etc. Nosso dia a dia também acarreta estados de raiva: uma fila demorada, uma piada de mau gosto, um aceno indesejado de alguém no trânsito, etc.  

Apesar de ser uma emoção destrutiva eu pergunto: quem gostaria de passar raiva durante 24 horas? Temos defesas para afastarmos estados de raiva, principalmente a racionalização, a qual, em nossa razão, pode-se determinar se compensa ou não uma ação guiada pela raiva. Mas, como a agressividade, ela existe…  

A mesma questão como na agressividade: ela estaria na contramão da evolução? A resposta também é não. Ela aumenta a energia e a força para um animal abater uma presa reagindo com eficiência a um ataque. Um complemento, uma ajuda na agressividade. E como na repreensão verbal a um filho citado em “agressividade”, você poderá estar com raiva dele, mas a canaliza para o bem-estar da criança. 

Se no modo de vida moderno nós não precisamos abater diretamente um animal como faziam os antigos caçadores coletores, temos muitos estímulos levando-nos à raiva, mas aprendemos a, pelo menos, não a deixar alterar de modo significativo o nosso bem-estar psicológico e dos outros. Uma luta diária. Extravasamos nossa raiva falando de nossos sentimentos... 

Ódio 

De um rancor duradouro até um profundo sentimento de repulsa por alguém, o ódio também parece se localizar na contramão da evolução. Então por que o temos?  

Exemplos de nossos ancestrais em suas vidas primitivas permitem termos uma boa pista para esse aparente paradoxo. Um predador passa próximo a um grupo de humanos e se afasta. Não atacou ninguém, mas todos desconfiam de sua volta. E quando aparece desperta ódio, talvez já presente em muitos da tribo, levando aquelas pessoas a um ataque possivelmente já combinado entre os mais destemidos do grupo.  

O ódio a um inimigo ou a quem represente uma ameaça, poderá deixar uma mãe prestando mais atenção em possíveis perturbações a seus filhotes, ou seja, ele proporcionaria uma série de comportamentos não existindo sem ele na defesa da prole e de si mesma. Um ótimo exemplo de situações como essas é o próprio aprendizado da mãe nesse exemplo. 

Gosto de raciocinar de uma forma, sendo “o pensar ao contrário”: se o ódio, a raiva e a agressão não existissem, quanto não ficaríamos vulneráveis sem eles? Seria possível um ser vivo tão complexo como nós, mas tão puro, ingênuo e passivo?   

Acreditar só no amor ou somente nos sentimentos positivos existindo em animais complexos, com comportamentos complexos, me parece uma grande ingenuidade. O amor tem como oposto a indiferença, mas e o não gostar de algo? Me parece fazer parte da nossa sobrevivência o não gostar de muita coisa chegando realmente ao ódio àquilo perigoso a nós, comuns em quaisquer habitats onde vivemos. 

No plano social o ódio pode aparece entre pessoas que não se gostam ou é o resultado de desavenças, mas, como a raiva, há um certo controle por parte do ser humano para muitas diferenças não os levarem a conflitos desastrosos. Aprendemos a nos controlar, racionalizar como na raiva, percebendo se compensa ou não uma discussão ou uma agressão devido a um sentimento profundo como esse.  

Os seres vivos sempre estiveram em um mundo repleto de estímulos positivos e negativos! Do primeiro exemplo neste texto sobre um unicelular fugindo de uma fonte de calor, denotando uma reação a um estímulo negativo, até uma mãe não gostando nada de um inimigo ou uma ameaça a sua prole, algum animal considerado perigosa para ela, a agressividade, acompanhada por raiva, ódio, etc., se perpetuaram como comportamentos de geração a geração. Não dá para conceber um planeta como o nosso onde sobreviveriam apenas indivíduos com reações benéficas com o ambiente. E note no exemplo da mãe a necessidade de   um sistema nervoso complexo, evoluído de muitas e muitas gerações como são os dos mamíferos. 

Seja lá como eram os primeiros unicelulares em estrutura e comportamento, eles estavam adaptados e procriaram dentro de ambientes com estímulos positivos e negativos reagindo de forma adequada a cada um deles. Conforme o sistema nervoso foi evoluindo, regiões e/ou funções diversas responsáveis pela agressão, raiva e o ódio, foram se perpetuando nos organismos multicelulares. 


Bibliografia: 

1 - Argos (de) Arruda Pinto. A base material dos sentimentos. Cérebro & Mente. 2001.  Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html >.  Acesso em: 11/07/2018. 

2 - Argos (de) Arruda Pinto. A base material dos sentimentos - 02. Cérebro & Mente. 2001. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n13/opiniao/material.html >. Acesso em: 11/07/2018. 

3 - Argos (de) Arruda Pinto. O Porquê dos nossos sentimentos. Cérebro & Mente. 2001. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html >. Acesso em: 11/07/2018. 

4 - Argos (de) Arruda Pinto. O Porquê dos nossos Sentimentos - 02. Cérebro & Mente. 2002. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html >. Acesso em: 11/07/2018. 

5 - Argos Arruda Pinto. Sistemas, teoria da evolução e neurociências. 2008.  Disponível em: < https://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com >. Acesso em: 11/07/2018.