Meus interesses:
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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Breve história da Teoria da Relatividade Especial (ou Restrita)

A Física é uma ciência de observação. E observar é literalmente olhar para um sistema, um conjunto de partes, tentar descobrir alguma regularidade, estados, de uma ou mais partes (ou do sistema inteiro) e colocar em uma linguagem matemática a fim de poder prever qual será o comportamento do sistema, de suas partes, em qualquer instante de tempo futuro. Também no presente imediato ou tirar conclusões sobre o passado. Você descobre então uma ou mais leis colocando-as na linguagem da matemática.

Filósofos e cientistas do passado, não possuindo ferramentas matemáticas, analisavam fenômenos e davam suas opiniões sobre o que ocorria com eles. A partir de Galileu Galilei (1564-1642) a matemática começou a fazer parte da análise de movimentos e a Física se tornou mais completa, mais concreta para as suas análises. Inclusive as leis da física também serão válidas para locais, ditos referenciais, que estão em movimento retilíneo e uniforme em relação a outros. Você  calcula alguns valores de um fenômeno qualquer em algum lugar e pode prever quanto serão os valores no outro referencial sabendo-se a velocidade entre ambos. Isto também se deve a Galileu e são chamadas Transformadas de Galileu. Cito aqui pois é um dos dois postulados da Teoria da Relatividade Especial.

Estamos acostumados com as palavras “observação” e “olhar”. Tão acostumados
que não nos damos conta de algo tão trivial envolvido com elas: para enxergarmos um objeto ou um fenômeno dependemos da luz refletida por eles a impressionarem nossos olhos e cérebros pois senão “veríamos” um mundo todo escuro. Mas ninguém sabia até o final do século XIX, e nem poderia imaginar, era que a velocidade da luz não pode ser acelerada ou desacelerada dentro de um mesmo meio. Este é o outro postulado da relatividade e o principal que mudou para sempre as nossas noções do que são o espaço, tempo, matéria e energia...  

A história é a seguinte: o físico escocês James Clerk Maxwell (1831 - 1879) havia estabelecido as leis do eletromagnetismo nas famosas "equações de Maxwell", criando o eletromagnetismo moderno.

Acontece que as suas equações apresentavam problemas quando da mudança de referencial, de um para outro com velocidade constante e retilínea, também denominado de referencial inercial, em cálculos utilizando-se as Transformadas de Galileu.

Necessitava-se de transformadas englobando as físicas de Galileu (e também de  Newton) junto às leis de Maxwell. E foi o físico neerlandês Hendrik Anntoon Lorentz (1853 - 1928) quem chegou a essas Transformações (...de Lorentz). Estavam corretas para cálculos com mudanças de referenciais mas admiti-las seria admitir fatos absurdos para o senso comum das pessoas: dilatação temporal, contração de comprimento e aumento de massa com a velocidade entre os referenciais inerciais. (1)

Ainda assim os cientistas da época consideraram hipoteticamente um meio pelo qual as ondas eletromagnéticas deveriam se deslocar e o chamaram de éter. Muito pouco denso a não dificultar o movimento de corpos celestes como a Terra, ele seria análogo a matéria para o movimento das ondas sonoras. Seria um modo de explicar a ineficácia das Transformações de Galileu para o eletromagnetismo. Acontece que a famosa experiência de Michelson e Morley garantiu, pela constância da velocidade da luz descoberta por eles, que, se ele existisse, obviamente não interferiria em nada no deslocamento das ondas de Maxwell. Optaram por descartar a existência do éter!

Albert Einstein (1879 - 1955) considerou os referenciais inerciais, que a velocidade da luz é constante em um mesmo meio e disse que o Universo se comporta sim como as três transformadas de Lorentz, e ainda chegou na equação mais famosa da física: E = m.c².

Fez-se silêncio não só na Física mas na ciência do Século XX durante muito tempo. Aos poucos a tecnologia cada vez mais avançada começou a provar a Teoria da Relatividade, de 1905, e hoje é ensinada já no ensino médio.


Notas:

1 - Veja o "Apêndice A" em meu blog "A Teoria da Relatividade não é difícil de entender": < http://teoriadarelatividadefacil.blogspot.com.br/2017/06/apendice-a.html >

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A neurorreligação como o elo descoberto (e não perdido) entre a psiquiatria e a psicologia

Nos anos 70 e 80 eu sempre via calorosas discussões entre a psicologia e psiquiatria. A primeira não gostava ou não achava certo prescrever remédios, ou algo assim, e a psiquiatria prescrevia e não gostava, ou não achava certo as longas sessões de terapias em pacientes com problemas emocionais. Mas, eu pensava, não haveria um meio termo entre o modo de trabalhar desses dois ramos da medicina? Afinal, uma insônia, por exemplo, devido a um distúrbio emocional e que prejudicava a vida de trabalho das pessoas, poderia, em pouco tempo, com medicação,  restabelecer a ordem correta de sono e vigília de quem precisasse. Por outro lado, problemas existenciais, profundos, gerando os péssimos sintomas de ansiedade, angústia e até depressão, poderiam ser curados ou minimizados com sessões com psicólogos. E, enquanto a melhora não vinha, alguns remédios aliviariam esses sintomas tão desagradáveis e incômodos no dia a dia de quem as possuíam.

O meio termo estaria aí, neste sentido.

Acontece algo com frequência, no modo de raciocinar de até cientistas, que limitavam os trabalhos em que estão inseridos: a dificuldade em raciocinar não com uma só variável, mas com duas... ou mais…

Quero aqui mostrar um exemplo, totalmente fora deste assunto, mas que é comum ouvir pessoas discutindo não com um ramo da ciência, mas com um ramo do esporte: a Fórmula - 01 ou qualquer corrida de carros.

Se você estranhar, poderá pensar em uma corrida de carros de passeio, porque sei que dirige e o que mais espero mostrar é a lógica intrínseca neste exemplo.

Vencerá um piloto que for o melhor ou quem possuir o melhor carro? As pessoas se confundem e muito porque aqui entram duas variáveis e não só uma!

Veja, o piloto que chamarei de A é melhor pois já provou durante a sua carreira. O segundo é o B e, estando com um carro mais potente, conseguirá atingir maiores velocidade nos finais das retas e também nas curvas. Manterei outras variáveis, como a estabilidade, erros de marcha, freios, quebra do motor, etc., como fixas.

Não há dúvida que a cada volta a velocidade média de B será maior e ele se distanciará cada vez mais de A. E se você trocar os carros a situação se inverterá.

Agora, imagine se eu fixar uma variável destas duas, o carro. Eu dou dois carros exatamente iguais em potências para os dois pilotos. Também as outras variáveis que falei permanecerão as mesmas. O piloto A ganhará todas as corridas de B porque é mais habilidoso, possui “mais braço”, como se diz na gíria automobilística, que o rival.

E se eu fixar, embora é quase impossível mas vale aqui, os pilotos? Dois exatamentes iguais em reflexo, manobras para ultrapassagem, velocidades nas entradas e saídas das curvas, etc.? Vencerá quem  possuir o carro mais potente!

Então, na antiga briga, e hoje parece que tende a se acabar, entre psiquiatras e psicólogos, a mistura dos trabalhos dos dois é mais eficiente na cura e/ou amenização de problemas emocionais dos pacientes. Até pode ser que em alguns casos a psicologia seja preferida aos remédios e vice-versa.

No meu artigo “A psicoterapia como neurorreligação” -
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-psicoterapia-como-neurorreligacao.html - no nono parágrafo, digo o seguinte: “No excelente artigo ‘Psicoterapia e neurociências: um encontro frutífero e necessário’, da Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, os autores  relatam o seguinte: ‘A Neurociência tem demonstrado que um comportamento pode ser aprendido e aperfeiçoado pela experiência, que altera a ‘voltagem’ das sinapses na rede neural, provendo a formação de novos circuitos neurais e novas memórias, acessíveis em ocasiões posteriores (Kandel, Schuartz & Jessell, 2000).’’

Outro relato diz: “Os estudos com neuroimagem […] objetivam pesquisar alterações anatômicas especialmente relacionadas à volumetria de estruturas encefálicas e funcionais para investigarem alterações na dinâmica do fluxo sanguíneo encefálico, aumento ou decréscimo de ativação nas estruturas e circuitos neurais (Peres & Nasello, 2005).”

Os remédios para a ansiedade, depressão, etc., aumentam ou diminuem a quantidade de neurotransmissores em conjunto de circuitos cerebrais.

Práticas psicológicas e com remédios, e tanto uma quanto à outra, modificam o funcionamento e/ou alteram áreas cerebrais melhorando o comportamento das pessoas.

A neurorreligação faz parte, aparece tanto em uma como na outra e no conjunto das duas: é o benefício atingido pelo esforço mental e/ou com remédios.

Enquanto psicólogos brigavam com os psiquiatras e vice-versa, a neurorreligação estava ali, se iniciando e se consolidando em nível micro, com áreas cerebrais, irrigação sanguínea, maior produção de neurotransmissores ou bloqueando o efeito de outros, etc., a produzir um melhor desempenho em comportamento das pessoas, ou seja, em nível macro.





quinta-feira, 9 de março de 2017

A equação E = m.c² como a base de toda a Física

A equação mais famosa do mundo, onde muitos conhecem a sua expressão mas poucos sabem o seu significado, é E = m.c².

Da Teoria da Relatividade de Albert Einstein (1879 - 1955), relaciona matéria e energia nos dando plena noção de que matéria pode ser transformada em energia e vice-versa. Qualquer grama de matéria, seja ela qual for, de qualquer material, pode ser totalmente transformada em energia.

Mas ela também pode nos revelar algo não muito divulgado a respeito do  universo onde vivemos, de galáxias ao Sistema Solar, da Terra e dos elementos químicos que formam nossos corpos, e tudo pelo redor de nós mesmos… O ar que respiramos, os alimentos e a água que ingerimos, a cama em que você dorme, o seu celular, computador, tudo!

Veja, quando você olha para a tela do seu computador, levantando uma xícara de café, muitos dos seus músculos dos dedos, do braço, da mão etc., se contraem, não? Mas se contraem porque as fibras musculares que os compõe também se contraem e isso é devido ao deslizamento de moléculas entre si que formam essas fibras. E esse deslizamento é devido a... Forças elétricas entre elas. Olhe aí a energia pois para uma força se manifestar faz-se necessário gasto de energia. No caso, energia elétrica.

Todas as reações químicas são devidas às forças elétricas que átomos, moléculas e íons exercem entre si. Da formação de uma simples molécula de sal de cozinha, o NaCl, até as reações mais elaboradas em nosso cérebro, formando nossa memória, raciocínio, consciência, sentimentos e emoções etc., vêm de forças elétricas. Olhe de novo a energia.

Processos fisiológicos como a respiração, digestão, as batidas do coração, enfim, os fenômenos da vida, estudados pela Biologia, só existem porque, em um nível submicroscópico, as forças entre cargas elétricas, íons, moléculas, existem... E então nós existimos.

Veja que falei de energia e matéria mas, e conceitos como o espaço e o tempo?

E = m.c².

Coloque “m” do lado esquerdo da equação. Fica:

E = c².
m

Mas “c” é a velocidade da luz, velocidade definida simplificadamente como espaço sobre tempo. Então:

E = [ espaço
m    [ tempo  ]²

E agora onze considerações e uma conclusão:

1 - Do espaço e do tempo, que definem a velocidade, você divide essa velocidade pelo tempo e obtém a aceleração, ou seja, toda a cinemática da Física.

2 - A energia pode ser transformada, sempre. E o conceito de força é a de um agente que existe porque houve gasto de energia (o conceito de trabalho) para tanto. Pronto, toda a Dinâmica e a Estática também estão aí.

3 - De "1" e "2" obtemos todo o estudo do movimento (sem a gravitação).

4 - A Termodinâmica é o estudo da energia térmica, incluindo movimento da energia, e das trocas de calor. Calor é a energia térmica em trânsito.

5 - A Ondulatória estuda as ondas mecânicas e sonoras. Nos dois casos existe a necessidade da presença de matéria.

6 - Massa atrai massa em razão direta dos seus produtos e na razão inversa do quadrado da distância (espaço). Temos a gravitação universal com a respectiva energia gravitacional.

7 - Cargas de mesmo sinal se repelem e de sinais opostos se atraem. Força elétrica -> energia. Carga em movimento - variação de espaço no tempo - cria o campo magnético. Força magnética -> energia. Campos elétricos e magnéticos se alternando e se propagando é uma das faces da natureza da luz.

8 - Os fótons possuem massa mesmo que muito pequena. Esta é a outra face da natureza da luz.

9 - Elétrons, que possuem massa e carga, acelerados por uma diferença de potencial, de energia, temos a corrente elétrica, a eletricidade.

10 - E temos a Ótica estudando os fenômenos da luz, sendo ela uma propagação eletromagnética ou uma propagação de fótons.

11 - As forças nucleares forte e fraca. Um átomo de chumbo possui 82 prótons em seu núcleo e, portanto, deve existir uma força muito poderosa para segurá-los juntos. Muita energia tem que estar presente. É a nuclear forte. A força fraca aparece em reações nucleares.

12 - E a Física de Alta Energia? Partículas (massa "m") e energia "E"!

Conclusão: Construímos toda a Física! E o nosso Universo! Eles todos vêm dos quatro conceitos relacionados pela equação de Einstein e então podemos dizer que tudo no Universo é espaço, tempo, matéria e energia?

Sim!

Tente achar outra coisa além desses primeiros quatro conceitos da realidade e você receberá um Prêmio Nobel!

Observação: uma das características mais marcantes de E = m.c² é o fato dela não especificar o tipo de matéria e energia que você estiver utilizando. Pode ser energia cinética, nuclear, eletromagnética, etc.; e a massa pode se apresentar em todos os seus estados como sólido, líquido, gasoso ou plasma, e, até mesmo como compostos orgânicos. É uma equação de formato geral.

Hoje procuramos saber a natureza da energia e matéria escuras no universo. Sejam lá como forem, obedecerão a essa equação do Einstein.





terça-feira, 7 de março de 2017

Explaining neuro-reconnection in a simple way - A new scientific term

Introduction:
With this text, my intension is to coin a new term in Psychology and Neuroscience, the neuro-reconnection, by several ways to work with psychotherapy. The cure and/or benefits obtained from psychotherapies aim an emotional improvement of patients, to have their job, social and personal lives back, increase or decrease of neural circuits, new memories, changes in the dynamic of brain blood flow, etc., phenomena regarding neuroplasticity, changes from micro to macro order in brain, i.e., patient’s effective behavior before their lives. This is the neuro-reconnection with full life by brain changes.

Wordkeys: neuro-reconnection, neuroscience, neuroplasticity, psychology, behavior.

Psychology studies behavior. Whether it might be animals or humans, it tries to understand the reason for each reaction before one or more several situations. Which is the answer? What is it/he going to do? Why did it/he do it? These questions are a very small sample of range of this subject, not considering the other areas it may acts, and only some of them are for humans: social, politics, corporate ones.

When you look at a person, you are analyzing his/her behavior, even you’re not a scientist. Take this example: the person is sitting in a chair in a subway station; it means he/she is waiting for someone or stopped to take a rest.

The scientists are worried with more complex behavior: why is the person so depressed? Why does a boy get too anxious before a girl?

Everything which is visible for humans has a correspondent in brain level from brain working or neural network. It seems simple, but it doesn’t. We have almost 100 billion of neurons; so, we have several networks which produce more complex behavior. Visible behavior. And these networks depend on substances named neurotransmitter to fulfill the lacks between the neurons for a nerve impulse goes through by neurons. This is called synapses and if a person doesn’t have these neurotransmitters, he/she will have troubles.

The neurotransmitter noradrenalin influences on our pleasure, happiness, humor, self-confidence, enthusiasm and alert state. Serotonin interferes in the impulsivity, aggressiveness, in sexual behavior and in pain (1).

So, in simple way, what occurs in micro level reflects on our macro behavior or, simply, behavior. Chemical reactions…

A depressed person is sad, he/she doesn’t have any energy to have a normal life. He/she stays on bed for hours, without hungry, without enthusiasm with life. As doctor Drauzio Varella said “On depression, the ‘existence’ is an unbearable millstone.” (2) There is a “softer” depression, although it’s not worth to explain its details here. It’s important to know the need of medicines and therapies in order to help depressed people. Religious practices also help to weaken this disease. Many people have overcome this situation after several losses (material and/or loved ones) when participating on worships, masses, meetings, etc., activities linked to their religion, and they have had their normal life back.

I’m talking about depression, but therapies, medicines (and here it’s possible to include psychiatry) and religious practices may help people to recover from several emotional troubles, because these actions also interfere on brain working.

See that emotional troubles, from softer to most severe ones, may have a great impact on people’s lives: the depressed person doesn’t work, doesn’t talk with, and people who live around him/her may feel the negative impact on their lives. As I mentioned, the treatment performs a new connection with society, a reconnection from improvements from inner states of brain, consequently, improving person’s macro behavior or, once more, behavior.

This is the neuro-reconnection I’m talking about.



Notes:

1 – Available in: “A depressão tem tratamento” [Treatment for Depression]. <https://www.saiadoescuro.pt/causas/5.htm>. Accessed in 3/7/2017.

2 - Available in: “Estresse e depressão” [Stress and depression].
<http://drauziovarella.com.br/drauzio/estresse-e-depressao/>. Accessed in 3/7/2017.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro

Palavras-chave: Neurociência, Religião, Cérebro, Sentimento, Relativismo religioso

Um valor se forma quando uma ou mais informações, chegando à sua mente, são memorizadas e têm a capacidade de, quando estimulada por algum fato futuro qualquer, gerar um sentimento que o levará a agir. É uma memória de emoção, em relação a algo material ou abstrato pelo qual nós seres humanos temos consideração, apreço, sentimento.


Simples assim? Não! Por trás de uma frase desta existe mais ciência do que você possa imaginar. Existem centenas de anos de pesquisas e descobrimentos, cientistas dando suas vidas pela verdade e nem sempre tendo sucesso, mas, não entrarei no assunto da história da ciência.


Quero esclarecer neste artigo algo que sempre digo, mas que não expliquei usando os conceitos acima: "a partir da infância uma criança terá os seus sentimentos 'canalizados' a acreditarem nos valores religiosos". Valores passados pelos pais, amigos, parentes, a religião local, as escolas, etc., enfim, do meio ambiente social. E por esses valores as pessoas se unem, fazem bem ao próximo, mas, também se matam!


Como é possível existir comportamentos tão antagônicos? Não é tão simples responder, mas entra aí a intolerância com os valores das outras religiões, o fato de cada uma achar os seus valores absolutos, de serem verdades absolutas e competirem diretamente uma com as outras de forma muitas vezes desastrosa. Ainda que no Brasil exista muita tolerância, reconhecida por outros países, lá fora é muito diferente.


Em meu texto "O paradoxo dos gêmeos religiosos" <http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/search?updated-min=2008-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2009-01-01T00:00:00-02:00&max-results=2>, digo da diferença de dois irmãos criados separadamente em meios sociais diversos onde as suas religiões são diferentes. Irão estranhar as crenças um do outro, os valores religiosos.


Veja, educados em culturas onde as informações que receberam não eram iguais, formarão muitos valores incompatíveis entre si. E é aí que entrarão em conflito se não houver tolerância. No texto falo, sendo um cristão e outro muçulmano... O cristão: "Deus é pai de Cristo e este veio ao mundo para nos salvar. A Bíblia é o seu livro sagrado onde existem ensinamentos dos Dois. O muçulmano dirá que acredita em Cristo, mas que ele fora apenas - e aqui já começa a briga - um profeta em nível terreno e humano. Maomé, inclusive não citado na Bíblia, é o profeta que escreveu um livro sobre tudo o que o deus Alá queria para o povo na Terra. O livro é o Corão e nem queira dizer a eles que o que está escrito lá não tem nada a ver com a nossa realidade neste mundo!".


Receberam informações diferentes que, memorizadas, possuiram a capacidade de gerarem ações diferentes ou, no mínimo, com muita incompatibilidade porque os sentimentos são diferentes. E nem preciso dizer o quanto os sentimentos são poderosos em nossas vidas.


Mas no primeiro parágrafo temos conceitos científicos relacionados com valor. São eles: informação, mente, memória e sentimento. Estes conceitos foram um a um compreendidos pela neurociência como manifestações das atividades neurônicas em nosso cérebro que descrevo aqui:


1 - Informação: os neurônios transmitem informações entre eles sendo as unidades básicas no cérebro, responsáveis por esse fenômeno. E esse fenômeno já é conhecido há muito tempo desde a década de, pasmem, 1890, quando o neuroanatomista espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934) descreveu o que se chamou de "a teoria do neurônio", a teoria da organização neural, com quatro princípios:
1a. Existe uma célula, que Cajal chamou de neurônio, que é a unidade de sinalização elementar do sistema nervoso;
2a. O prolongamento de um neurônio, o axônio (transmissão), se comunica com os dendritos (recepção) de outros neurônios em uma região chamada fenda sináptica. Mais tarde os cientistas descobriram que o impulso só passa de um neurônio para outro com a presença de substâncias químicas, os   neurotransmissores, se acumulando nessa região que é vazia, fenômeno esse conhecido como sinapse;
3a. Um neurônio se comunicará somente com células específicas e não com outras;
4a. Dentro de um neurônio o sinal viaja somente em uma direção e sentido. Com isto é possível rastrear como o sinal se comunica com as outras células nervosas.


Feito isto, Cajal, recebendo o Nobel de 1906 de fisiologia ou medicina, estabeleceu as bases do funcionamento cerebral em termos simples que são os neurônios.


2 - Memória: existe uma base química para a memória descoberta pelo cientista americano Eric R. Kandel, Nobel de fisiologia ou medicina em 2000, em que ele brilhantemente explica no livro "Em Busca da Memória" (Kandel, 2009).


Existe a memória de curto prazo e a memória de longo prazo, onde a primeira é um fortalecimento das sinapses com uma maior liberação de neurotransmissores. Já na segunda acontecem dois fenômenos: substâncias estimulando um gene do neurônio a produzir novos prolongamentos do axônio para haver mais sinapses e também se aumentando a produção de neurotransmissores do que na memória de curto prazo. Uma observação tem que ser feita aqui: nas duas ocorrem interações de diversas substâncias químicas não sendo viável descrevê-las em um texto simples e pequeno como este.


3 - Sentimento: sensação devido a estímulo (s) externo (s) ou interno (s) fazendo com que haja ou não a liberação de neurotransmissores em neurônios de diversas áreas cerebrais em conjunto, ocorrendo ou não a liberação de hormônios e/ou neurotransmissores pelo nosso corpo. É bom salientar que nós percebemos uma sensação ou um sentimento não só em nossos cérebros, mas também pelo corpo. Por exemplo, o alívio de uma angústia com o alívio de uma sensação ruim em nosso peito acompanhada do desaparecimento também de pensamentos negativos. Quando você está feliz, sua mente está equilibrada no sentido de pensamentos positivos acompanhada de uma ótima sensação pelo corpo devido às substâncias químicas nele liberadas.


4 - Mente: estado produzido pelo funcionamento de várias regiões do cérebro. Cuidado com a palavra "estado"; ela se aplica a (quase) todos os ramos da ciência, mas é estudada de forma geral na teoria dos sistemas e em sistemas complexos. Uma definição para o leigo seria a de como o sistema, em nosso caso as várias regiões cerebrais, subsistemas do cérebro, estão produzindo a nossa mente, de como ele está no momento. Você está concentrado em uma tarefa? Está pensando em como realizar aquela viagem na próxima semana? Preocupado com o aluguel? Veja que a mente é algo muito dinâmico porque enquanto você pensa em algo, seus olhos podem reparar um carro na rua enquanto seus ouvidos estão captando um barulho de uma reforma em um prédio que te perturba.


O eminente neurocientista português António R. Damásio diz em seu livro, "E o Cérebro Criou o Homem" (Damásio, 2011), que a mente não é só produzida inteiramente no córtex cerebral. Ela é a porção mais recente do cérebro evolutivamente falando, responsável principalmente pela nossa lógica, o raciocínio lógico e maior que nos outros animais em relação ao tamanho cerebral.


Damásio fala também do tronco cerebral, de suas duas divisões, o núcleo do trato solitário e o núcleo parabraquial, e o terceiro seria o colículo superior como produtores da mente. Ele é a maior autoridade mundial no assunto de sentimentos, emoções e consciência no momento, tendo escrito vários livros sobre estes assuntos.


Veja os valores religiosos: informações chegam a uma criança, no próprio meio ambiente social, às dezenas, centenas, sempre, como fatos absolutos da religião local e, quando ela as memoriza e passa a senti-las, levando-a a uma ação ao receber um estímulo, elas estarão definitivamente concretizadas em sua mente. Na verdade os valores ficam com a criança como memórias de emoção. No decorrer da vida alguns poderão mudar ou não, podem se intensificar, etc. 


Padres da igreja católica não casam; bispos evangélicos, cristãos como os padres, casam. Você coloca santos em sua sala mas para outros cristãos isto é absolutamente inadmissível. Mulheres islâmicas escondem todo o corpo nas "burkas" enquanto no Brasil se mostra quase tudo do corpo. Valores... Islâmicos rezam em direção e sentido à cidade de Meca e os cristãos rezam em qualquer lugar. Hindus e xintoístas adoram muitos deuses e os cristãos a só um. Valores...


Mas o que mais interessa aqui é como esses valores se formam em nossos cérebros.


Dei explicações em parágrafos anteriores de como entender quatro fatos científicos,  a  informação, mente, memória e sentimento. Então como se forma um valor a partir destes fatos neurocientíficos?


Agora entra um conceito da teoria dos sistemas e da ciência da complexidade um tanto difícil de explicar ao leigo, o de propriedades emergentes.


Dois ou mais fenômenos juntos produzem outro que, sozinhos, os primeiros, não conseguiriam realizar. É como ver o novo fenômeno de um plano acima, olhando para aqueles embaixo que o forma.


Darei um exemplo simples: um próton possui características, propriedades como carga e massa. Carga positiva. O elétron possui carga negativa e uma massa muito menor que a do próton. O nêutron possui massa, quase igual a do próton, mas sem carga. Agora imagine uma quantidade infindável deles em um recipiente. Talvez se comportem como um gás, mas, se eles, por algum motivo, se configurarem em átomos de hidrogênio, oxigênio, e produzirem água, terão novas propriedades físico-químicas diferentes das partículas e átomos em separado. Veja que a propriedade emergente - água com propriedades novas -  só apareceu depois que eles se reuniram de maneira especial.


Então, quando eu disse as quatro primeiras palavras deste artigo, "um valor se forma", eu estava me referindo a isto, mas precisei explicar aqueles quatro fatos: informação, mente, memória e sentimento, para até chegar aqui. O valor pode ser considerado como uma propriedade emergente das interações físico-químicas, dos neurônios, em regiões específicas do cérebro.


O valor, seja ele qual for, inclusive o religioso, não precisa de uma alma ou espírito, ou de um deus para existir. Digo deus em "d" minúsculo porque me refiro aos deuses de todas as seitas e religiões que o ser humano inventou. Afinal, matéria e energia comuns já estavam presentes em todas as formas de vida que, em algumas delas, chegaram até nós.



Bibliografia:
CASTRO, A. M. O. Sentindo e agindo. Um novo homem para um novo milênio. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 1999.

DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 439 p.


KANDEL, Eric R. Em Busca da Memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. pp. 76-84.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Ciência versus Religião: uma discussão inútil

Resumo

A ciência possui o seu modo próprio de trabalhar que, em primeira instância com  algo não comentado muito por aí, ou nunca, é a sua forma rígida de ver o universo como materialista, não admitindo a hipótese de fatos sobrenaturais a explicar e/ou ajudar a explicar os fenômenos da natureza. Já a religião cristã, em algumas passagens, principalmente no surgimento do universo e no criacionismo, coloca a mão de algo muito superior a nós comandando o desenrolar dos acontecimentos científicos. Acontece que a ciência não descobriria nada, não produziria tecnologia, se deixasse levar por fatos oriundos de intervenções sobrenaturais nos fenômenos da natureza. Ciência e religião entram em conflito constantemente porque uma quer explicar pelas suas crenças (ou descobertas), o que considera errado na outra. É nesse conflito que escrevo este artigo porque acho um desperdício de tempo e energia querer confrontar duas formas de conceber o que existe no universo, com duas maneiras diferentes de abordagem, tendo apenas alguns assuntos em comum.

Palavras-chave: ciência, religião, materialismo, evolução, criacionismo, big-bang.
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Eu, como um apaixonado pelas ciências desde a minha infância, passei várias vezes por uma mesma situação quando queria trocar ideias com amigos, colegas, pessoas em geral: ao mencionar o Big-Bang, várias delas me perguntaram se eu acreditava em Deus. Mesma pergunta ao falar da evolução. Estes são os dois maiores casos onde ciência e religião, em termos de assuntos importantes, se convergem em discussões como mencionei no resumo.

De uma região altamente densa de matéria, inchando ou explodindo, à crença de Deus criando o universo, existe muita diferença e intolerância.

O físico e matemático Isaac Newton ( 1642 / 4 - 1727 / 31 ) descobriu a principal fórmula da gravidade responsável pelo movimento da Terra ao redor do Sol, da Lua em torno da Terra, de todos os planetas ao redor do Sol e, como um primeiro exemplo, de nossos satélites artificiais enviando mensagens, imagens, dados computacionais, etc., a laboratórios terrestres. Mas se Newton, há quase 400 anos atrás, trabalhasse pensando em algo sobrenatural influindo na gravidade, ao invés só de fórmulas, números e desenhos, hoje não teríamos transmissões de televisão ao vivo, sinais de internet e telefonia, não teríamos o google maps e nem o google earth, observações e previsão de tempestades, previsões de nuvens, observar a poluição de cidades, nem enxergar territórios à noite ou através das nuvens; não poderíamos melhor observar o universo com faz o telescópio Hubble.

Mas a ciência não é realizada e nem produz tecnologia só com a gravidade e, talvez o melhor exemplo que eu poderia dar, seria sobre a medicina. Uma empresa fabrica um remédio para curar a gripe, doença uma, dentre tantas, fatais há décadas e/ou poucas centenas de anos… Os responsáveis ficaram atrás de algum poder, força ou ente sobrenatural para descobrir a fórmula e quantidade exata dele? Veja que só o fato de mencionar uma verdade desta, presente  em nosso dia a dia, revela o quão ridículo é a mistura, a discussão de ciência com a religião.

Pensando bem, a discussão do surgimento da Terra e do Universo, e a criação da vida com uma posterior evolução, são exceções em um número imenso de fatos que acharíamos ridículos. Olhe à sua volta e tente imaginar quanto trabalho, pesquisas, ideias, etc., foram necessários para se chegar aos materiais e objetos, com seus componentes, levando em consideração ainda o tempo muitas vezes amplo de, em um componente antigo ser modificado,  adaptado com outro e se formar um objeto dezenas ou centenas de anos depois. Por exemplo, de um fio que transmite eletricidade, já conhecido há mais ou menos 200 anos, até o fio do carregador do seu celular. Quer dizer, ninguém fica discutindo estes fatos; se prendem na origem do universo, na evolução e no criacionismo.

Um assunto ainda muito tímido, pelo menos aqui no Brasil, diz respeito àquilo que a neurociência, com suas descobertas estranhas para muitas pessoas, onde os nossos sentimentos e emoções existem devido a reações físico-químicas no cérebro. O cristianismo diz que elas são produtos de uma alma imortal, não sendo física mas algo divino além da matéria dentro de nós. (1)

A neurociência é uma ciência nova onde cuida especificamente do sistema nervoso como um todo, incluindo sua porção principal, o cérebro. Como ciência deve investigar fenômenos psíquicos, que seriam frutos da alma e/ou do espírito, como produtos estritamente da matéria e energia comuns, mas, mesmo assim, alguns cientistas tentam colocá-los em regiões cerebrais.

Sou pela investigação materialista e no meu artigo “A base material dos sentimentos” eu digo o seguinte:

‘“‘Nosso cérebro é composto de um número de combinações sinápticas que ultrapassa o número de átomos do universo conhecido. O número de estados mentais, então, é muito grande, mas é evidente que não somos afetados por todos eles. Mesmo assim o restante é considerável a ponto do cérebro entrar em estados riquíssimos em complexidade e singularidade, tornando-o fonte daquelas situações ora negativas, ora positivas, às quais chamamos de emoções e sentimentos.
Para muitos isso soa como puro materialismo, entretanto, os filósofos cristãos e teólogos, entre outros, e em épocas nada adiantadas em tecnologia, medicina, química, e ciências afins, atribuíram a causas sobrenaturais o que essas disciplinas estão descobrindo agora em termos de química cerebral. E os resultados dessas atribuições foram passadas de geração a geração até nós como fatos incontestáveis e intocáveis.
Se algumas substâncias químicas alteram profundamente os nossos sentimentos, então tudo aquilo que é sobrenatural, principalmente os nossos conceitos de alma e espírito, deverá sofrer com o tempo algumas modificações com respeito às suas influências sobre a nossa mente e nosso corpo. O futuro da ciência será em descobrir até que ponto eles são afetados por tudo que não é sobrenatural.’’’’ (Cérebro & Mente, 2001).

Em “A base material dos sentimentos - II:

‘“‘Sentimentos produzem comportamentos e possuem uma forte base material onde, desde há muito tempo, se atribui a algo imaterial, uma alma ou espírito, como aquilo que gera sentimento. A ciência está revelando um outro aspecto da realidade onde os sentimentos, e mais que isto, o que somos e pensamos, são produtos de reações ou conjuntos de reações físico-químicas. Ela pode chegar a um ponto onde se descobre que algo, longe do alcance de qualquer instrumento ou conhecimento, influi em uma ou mais áreas do cérebro, afetando todo ou parte de seu funcionamento. Mas, se perceberem uma certa circularidade, um fechamento na origem dos processos cerebrais, como se as reações fossem sustentadas sem algo incompreensível, imaterial, atuando nos cérebros das pessoas, então aí começaria uma revolução a qual menciono no meu primeiro artigo.’’’’ (Cérebro & Mente, 2001).


Digamos que realmente os cientistas descubram esse fechamento nos processos cerebrais. Muitas pessoas ainda irão acreditar em algo imaterial comandando a vida emocional do ser humano. O acreditar é livre: você acredita no que quiser mas como aconteceu com a teoria da evolução, muitas brigas irão começar. Infelizmente a separação entre a religião e a ciência, como descrevo neste artigo, é algo muito difícil!


Notas:

1 - Na verdade há muitas definições ou atribuições que fazem com respeito à alma e também com o espírito. Falarei aqui somente da alma e do espírito como “geradores” dos nossos emoções e sentimentos.

Bibliografia:

A base material dos sentimentos. Argos (de) Arruda Pinto. Disponível em: http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html. Acesso em: 11 fev. 2017.

A base material dos sentimentos - II. Argos (de) Arruda Pinto. Disponível em:

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A poesia da consciência

É impressionante a sabedoria, a consciência desse poeta brasileiro porque, em um trecho ele se refere ao fato da consciência ter consciência de si própria. É a frase: "... E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede". A autoconsciência...


O morcego

Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vêde:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o tecto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra

Imperceptivelmente em nosso quarto!



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A Teoria da Relatividade não é difícil de entender - A relatividade da massa

 


 
Se você viajar a uma velocidade próxima a da luz, 300.000 km/s, sua massa, seu peso, aumentará muito e tenderá ao infinito quanto mais próximo chegar a esta velocidade! Ou seja, você nunca chegará!

Ficção científica? Não, realidade! Como no caso do tempo!

Para começar a explicar mais este fenômeno intrigante da Teoria da Relatividade de Albert Einstein, ( 1879 - 1955 ), direi algo importante sobre isto: sua massa aumenta não porque a quantidade de átomos ou moléculas aumentará em seu corpo. Ela aumenta devido à medida de como é realizada. Quando é realizada em uma balança comum você está em repouso em relação a ela.

É algo perturbador tentar intuir como tudo isto acontece mas podemos utilizar para este propósito a equação da relatividade formulada por Einstein:  E = m.c2.

Ela relaciona diretamente massa com energia e é uma das mais famosas equações, senão a mais, da Física.

Energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.

A luz possui uma velocidade constante em um mesmo meio e, como eu disse no outro artigo, “A relatividade do tempo”, neste blog, esta propriedade é fundamental na relatividade, nos fenômenos relativísticos. Não fosse assim a Teoria da Relatividade não existiria.  

O quadrado da velocidade da luz, c2, é também constante, um número, um invariante. Grande mas invariante.

Realizando uma pequena mudança dos termos da equação E = m.c2, passando a massa para o lado esquerdo temos:

E / m  =  c2  ou  c² = E / m       (1)

Isto quer dizer que a divisão entre a energia pela massa, em qualquer evento, é constante. A energia se apresenta de uma forma geral, podendo ser eletromagnética, nuclear, cinética, etc. Em termos de qualidade ou natureza, a massa também, mostrando a força desta equação na compreensão dos fenômenos do universo.

Estou falando de uma viagem espacial, ou seja, de energia de movimento ou cinética. Aumentando a velocidade da nave, a energia E aumenta e, para  a equação (1)  se manter constante, m deverá aumentar também.

Fazendo uma comparação com algo muito simples para você entender, pegue o resultado de uma fração qualquer, como 10/2 = 5. Se o valor 10 aumentar para 15 e se o resultado da fração tiver que continuar 5, constante, o denominador 2 deverá aumentar também, neste caso, para 3.

Mais uma vez vemos que a velocidade da luz é sempre uma constante em um mesmo meio. Se não fosse assim a massa m poderia se manter constante... Da equação (1), E variando com c, e consequentemente c ao quadrado também variando, a massa poderia ficar constante, mas não é o caso.

Uma conclusão também surpreendente que podemos obter neste artigo, estando de acordo com a Teoria da Relatividade, é que por mais energia colocada em ação para aumentar a velocidade de qualquer corpo, ele nunca chegará a velocidade da luz!

Como a massa aumenta com a velocidade, pela equação (1) você percebe que ela tende ao infinito colocando energia também tendendo ao infinito para c ficar constante!

Nos laboratórios, a partir dos chamados aceleradores de partículas, os cientistas comprovam a relatividade da massa colocando cada vez mais energia no movimento dessas partículas atômicas e subatômicas, como prótons, elétrons, etc., e não se consegue chegar aos 300.000 km/s como eu disse no primeiro parágrafo. Os próprios aceleradores são construídos levando-se em conta esses efeitos. Se não, nem funcionariam…

A velocidade da luz é então uma velocidade limite para qualquer objeto no universo. Nada pode chegar a ela!