Meus interesses:
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terça-feira, 3 de outubro de 2017

A base material do amor, da paixão e do desejo sexual

Um casal que se ama possui uma rede muito complexa de comportamentos entre si onde talvez seria impossível entender tudo que o cerca com respeito aos cérebros dos dois nessa união!

Mas diminua em cada um deles a quantidade de oxitocina, vasopressina e luliberina e veja essa união acabar!

E então, como ficamos? Três substâncias, talvez com mais algumas, terminando algo tão profundo, duradouro e belo como nós conhecemos?

Experiências (1) específicas foram realizadas com pessoas onde eram apresentadas a elas fotografias eróticas (para uma análise no campo sexual) e da namorada ou namorado (para o elevado sentimento do amor). Verificou-se duas áreas cerebrais ativadas nessas circunstâncias: a ínsula e o estriado. A ínsula está presente no sistema límbico, nas emoções e o estriado foi verificado como o responsável tanto do amor quanto do desejo mas em pontos diferentes.

Curiosamente, essas partes do estriado estão relacionadas com o uso de drogas, sendo interessante fazer uma analogia com os estados mentais de quem está amando outra pessoa como quem estivesse “drogado”, só que se valendo de algo natural e benéfico.

A oxitocina é o hormônio ligado à felicidade, empatia, apego entre as pessoas e  por isso considerada o hormônio do amor.

A vasopressina utilizada em pequenos roedores nos EUA, os arganazes, parentes de esquilos, demonstrou ser um componente essencial para a fidelidade desses animais, a ponto dos machos ficarem juntos às fêmeas sem abandoná-las. E as fêmeas tiveram o mesmo comportamento mas com o uso concomitante da oxitocina. Mesmo efeito conosco!

Já a luliberina possui um efeito intenso no desejo e na realização do ato sexual em cobaias de laboratórios. Também possuímos essa substância e, da mesma forma, aumenta o nosso apetite sexual.

Por outro lado a paixão é violenta, devastadora e nos deixam presos à ideia de sempre estarmos com a pessoa. A atração sexual é fortíssima e ficamos inquietos, ansiosos, com muita liberação de endorfina e dopamina, com muito prazer...

Regiões cerebrais, disparos de neurônios, substâncias químicas, comportamentos…  Será que tudo é químico? Físico? Onde estariam a alma, o espírito, nisso tudo? A maquinaria cerebral teria influência do sobrenatural, de fatores imponderáveis, inacessíveis à  nossa compreensão intelectual, racional?

Nunca sabemos quando iremos amar alguém, acontece, e o número de fatores para tanto é tão grande que beira a aleatoriedade…

Existe algo de estranho se a alma fizer parte de, generalizando, nosso caráter, personalidade, nossas emoções e sentimentos: se ela veio de um ser supremo, onipotente, onipresente e onisciente, para quê colocar o sistema mais complexo que existe, o cérebro, em nossas cabeças, se uma alma fizesse “todo o dever de casa?”. Teríamos apenas carne e ossos em nossas cabeças.

E se você se perguntar: “será que somos só regiões cerebrais, disparos de neurônios e substâncias químicas produzindo comportamentos?”.

Não se esqueça que para tudo isto ter lugar em nossos cérebros, foram necessários mais de 3,5 bilhões de anos de evolução biológica.


Bibliografia:

1 - Stephanie Cacioppo, Francesco Bianchi-Demicheli, Chris Frum, James G. Pfaus, James W. Lewis. The Common Neural Bases Between Sexual Desire and Love: A Multilevel Kernel Density fMRI Analysis. The Journal of Sexual Medicine, 2012.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Psicoterapia, neuroplasticidade e neurorreligação

Introdução.
Neste artigo eu relaciono diretamente a psicoterapia com a neuroplasticidade, mudanças estruturais e/ou funcionais no cérebro, porque é neste ponto que os diversos tipos de sessões com psicólogos irá ajudar a recuperação de pacientes com problemas emocionais dos mais diversos.

Uma ou várias rotas neurais estão ativadas, ou seja, transmitindo correntes elétricas nervosas, ao você ver um cão se dirigindo em sua direção. Elas estimulam regiões cerebrais liberando substâncias químicas em sua corrente sanguínea como a adrenalina, aumentando seus batimentos cardíacos e aumentando a quantidade de sangue oxigenado, deixando-o pronto para correr ou enfrentar o cão. Mas você está também com medo, possui esse medo desde criança quando fora atacado e mordido por um deles e nem se lembra desse fato.

Este é um exemplo clássico de fobia na Psicologia onde a psicoterapia poderá ajudá-lo pois o animal em questão não é nada grande e seu pânico chega a ser absurdo até para você! E como ela poderá ajudá-lo? Através de sessões semanais em conversas com um profissional, um psicólogo.  Com o tempo o medo passa melhorando o seu estado emocional até em lidar com cachorros.

E o quê aconteceu de verdade?

Primeiro temos que recorrer à neuroplasticidade que é a capacidade do cérebro de se reorganizar, mudar mesmo em estruturas microscópicas, conforme estímulos do meio ambiente chegando pelos nossos sentidos e sendo processados.

Alguns fenômenos podem acontecer como o brotamento de axônios ou brotamento axonal, a mudança no número, disposição espacial, densidade de espinhas dendríticas e comprimento de dendritos a receber impulsos nervosos   e  os receptores de neurotransmissores sofrerem alterações em tipo ou número. E também o aprendizado está relacionado com tudo isso, como apareceu em uma fotografia microscópica de um estabelecimento contínuo, ou ao mesmo muito duradouro, de sinapses através de uma grande quantidade de neurotransmissores entre elas. Foi com um camundongo de laboratório, em uma experiência na década de 90 e postada por um jornal de grande circulação nacional, quando aprendeu  o caminho correto a levá-lo a um pedaço de queijo.

O cérebro é um órgão em constante mudanças estruturais. São muito pequenas em sua grande maioria e só com o desenvolvimento de aparelhos eletrônicos sofisticados como a tomografia por emissão de fóton único (SPECT), a tomografia por emissão de pósitrons (PET), a ressonância magnética funcional (fMRI), a ressonância magnética espectroscópica (MRS) e o NIRS (espectroscopia no infravermelho próximo) é que foi possível aos cientistas perceberem fatos antes desconhecidos.

O que se pode explicar bem resumidamente até agora é o fato de uma ou mais rotas neurais, onde são percorridas por impulsos nervosos a chegarem em regiões cerebrais liberando substâncias como descrito no primeiro parágrafo,  onde você ficava desesperado ao ver um cão, tendo agora rotas diferentes devido à neuroplasticidade e desviando os impulsos a outras regiões amenizando seus problemas ao liberarem outras substâncias.

Os estímulos externos, em sua psicoterapia, capazes de realizar tais efeitos foram as conversas com o psicólogo. Você pode, por exemplo, ter se lembrado do ataque do cão quando criança, sendo essa lembrança crucial nas modificações neurais descritas acima, pois uma tomada de consciência como essa irá alterar e demais as suas memórias, emoções e sentimentos, influindo em seus circuitos neurais.

Então, esse é o fenômeno da neuroplasticidade mas a história não para por aqui.

Imagine agora alguém com depressão. Grosso modo é uma grande diminuição da atividade neurônica na pessoa. Fendas sinápticas sem sinapses, sentimentos e emoções negativos dos mais diversos tais como autocomiseração, falta de sentido na vida, angústia, ansiedade, etc.; sentimentos esses que poderão levar tal pessoa ao suicídio. E veja que todos esses sintomas negativos apareceram depois de tal doença, ou seja, não estavam no script com relação ao (s) problema (s) central (is) que levou (aram) à doença, até que um dia os cientistas perceberam que eles apareceriam mesmo, sempre.

Digamos que remédios e psicoterapia são recomendados a esse alguém tão fragilizado, física e emocionalmente, perdendo momentaneamente sua vida social, de trabalho e afetiva (gosto de citar em meus artigos essas três palavras pois resumem 100%, ou algo próximo a isto, nossa vida diária, comum…). Com o tempo o humor, a vontade de viver, a alegria, começam a fazer parte da vida dessa pessoa como antes da depressão, da tristeza, da angústia, etc.

Houve reversão nas anormalidades estruturais ou funcionais associadas a uma certa sintomatologia antes da terapia; em outras palavras, a psicoterapia pode amortecer a estrutura e a função do cérebro, a "psicologia da normalização". Pode também ocorrer que a terapia pode levar a mudanças compensatórias em áreas do cérebro que não apresentaram funções alteradas antes da terapia. São normalizações de padrões anormais de atividade, onde, muitas vezes remédios e psicoterapia juntos podem não surtirem efeitos desejados mas somente uma prática dessas. (1)

É já famosa a experiência com neuroimagens em motoristas de táxis em Londres pois eles passam por um “curso” de dois anos aprendendo sobre o mapa da cidade, ruas, avenidas, pontos turísticos, pontes, igrejas, etc. Eles apresentam um aumento no hipocampo posterior onde é justamente a região cerebral responsável pelos pensamentos, imaginação e memória em três dimensões. (2)

A neuroplasticidade aparece onde há aprendizado, estímulos externos produzindo emoções e sentimentos e, neste caso, como eu falei especificamente da depressão, se a pessoa voltar a ter sua vida social, de trabalho e afetiva de volta, eu chamo de neurorreligação.

Não é à toa que a densidade do cérebro é muito pequena, beirando 1,3 g/cm3,  próxima a da água, 1,00 g/cm3. Modificar uma estrutura bastante gelatinosa é bem mais fácil que outra bem mais rígida.


Bibliografia:

1 - Barsaglini A., Sartori G., Benetti S., Pettersson-Yeo W., Mechelli A. The effects of psychotherapy on brain function: a systematic and critical review. Prog. Neurobiol. 2014 Mar. Disponível em < https://f1000.com/prime/718292548 >. Acesso em: 22/09/2017.

2 - Eleanor A. Maguire, David G. Gadian, Ingrid S. Johnsrude, Catriona D. Good, John Ashburner, Richard S. J. Frackowiak, and Christopher D. Frith. Navigation-related structural change in the hippocampi of taxi drivers. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC18253/ >. Acesso em: 22/09/2017.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Breve história da Teoria da Relatividade Especial (ou Restrita)

A Física é uma ciência de observação. E observar é literalmente olhar para um sistema, um conjunto de partes, tentar descobrir alguma regularidade, estados, de uma ou mais partes (ou do sistema inteiro) e colocar em uma linguagem matemática a fim de poder prever qual será o comportamento do sistema, de suas partes, em qualquer instante de tempo futuro. Também no presente imediato ou tirar conclusões sobre o passado. Você descobre então uma ou mais leis colocando-as na linguagem da matemática.

Filósofos e cientistas do passado, não possuindo ferramentas matemáticas, analisavam fenômenos e davam suas opiniões sobre o que ocorria com eles. A partir de Galileu Galilei (1564-1642) a matemática começou a fazer parte da análise de movimentos e a Física se tornou mais completa, mais concreta para as suas análises. Inclusive as leis da física também serão válidas para locais, ditos referenciais, que estão em movimento retilíneo e uniforme em relação a outros. Você  calcula alguns valores de um fenômeno qualquer em algum lugar e pode prever quanto serão os valores no outro referencial sabendo-se a velocidade entre ambos. Isto também se deve a Galileu e são chamadas Transformadas de Galileu. Cito aqui pois é um dos dois postulados da Teoria da Relatividade Especial.

Estamos acostumados com as palavras “observação” e “olhar”. Tão acostumados
que não nos damos conta de algo tão trivial envolvido com elas: para enxergarmos um objeto ou um fenômeno dependemos da luz refletida por eles a impressionarem nossos olhos e cérebros pois senão “veríamos” um mundo todo escuro. Mas ninguém sabia até o final do século XIX, e nem poderia imaginar, era que a velocidade da luz não pode ser acelerada ou desacelerada dentro de um mesmo meio. Este é o outro postulado da relatividade e o principal que mudou para sempre as nossas noções do que são o espaço, tempo, matéria e energia...  

A história é a seguinte: o físico escocês James Clerk Maxwell (1831 - 1879) havia estabelecido as leis do eletromagnetismo nas famosas "equações de Maxwell", criando o eletromagnetismo moderno.

Acontece que as suas equações apresentavam problemas quando da mudança de referencial, de um para outro com velocidade constante e retilínea, também denominado de referencial inercial, em cálculos utilizando-se as Transformadas de Galileu.

Necessitava-se de transformadas englobando as físicas de Galileu (e também de  Newton) junto às leis de Maxwell. E foi o físico neerlandês Hendrik Anntoon Lorentz (1853 - 1928) quem chegou a essas Transformações (...de Lorentz). Estavam corretas para cálculos com mudanças de referenciais mas admiti-las seria admitir fatos absurdos para o senso comum das pessoas: dilatação temporal, contração de comprimento e aumento de massa com a velocidade entre os referenciais inerciais. (1)

Ainda assim os cientistas da época consideraram hipoteticamente um meio pelo qual as ondas eletromagnéticas deveriam se deslocar e o chamaram de éter. Muito pouco denso a não dificultar o movimento de corpos celestes como a Terra, ele seria análogo a matéria para o movimento das ondas sonoras. Seria um modo de explicar a ineficácia das Transformações de Galileu para o eletromagnetismo. Acontece que a famosa experiência de Michelson e Morley garantiu, pela constância da velocidade da luz descoberta por eles, que, se ele existisse, obviamente não interferiria em nada no deslocamento das ondas de Maxwell. Optaram por descartar a existência do éter!

Albert Einstein (1879 - 1955) considerou os referenciais inerciais, que a velocidade da luz é constante em um mesmo meio e disse que o Universo se comporta sim como as três transformadas de Lorentz, e ainda chegou na equação mais famosa da física: E = m.c².

Fez-se silêncio não só na Física mas na ciência do Século XX durante muito tempo. Aos poucos a tecnologia cada vez mais avançada começou a provar a Teoria da Relatividade, de 1905, e hoje é ensinada já no ensino médio.


Notas:

1 - Veja o "Apêndice A" em meu blog "A Teoria da Relatividade não é difícil de entender": < http://teoriadarelatividadefacil.blogspot.com.br/2017/06/apendice-a.html >

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A neurorreligação como o elo descoberto (e não perdido) entre a psiquiatria e a psicologia

Nos anos 70 e 80 eu sempre via calorosas discussões entre a psicologia e psiquiatria. A primeira não gostava ou não achava certo prescrever remédios, ou algo assim, e a psiquiatria prescrevia e não gostava, ou não achava certo as longas sessões de terapias em pacientes com problemas emocionais. Mas, eu pensava, não haveria um meio termo entre o modo de trabalhar desses dois ramos da medicina? Afinal, uma insônia, por exemplo, devido a um distúrbio emocional e que prejudicava a vida de trabalho das pessoas, poderia, em pouco tempo, com medicação,  restabelecer a ordem correta de sono e vigília de quem precisasse. Por outro lado, problemas existenciais, profundos, gerando os péssimos sintomas de ansiedade, angústia e até depressão, poderiam ser curados ou minimizados com sessões com psicólogos. E, enquanto a melhora não vinha, alguns remédios aliviariam esses sintomas tão desagradáveis e incômodos no dia a dia de quem as possuíam.

O meio termo estaria aí, neste sentido.

Acontece algo com frequência, no modo de raciocinar de até cientistas, que limitavam os trabalhos em que estão inseridos: a dificuldade em raciocinar não com uma só variável, mas com duas... ou mais…

Quero aqui mostrar um exemplo, totalmente fora deste assunto, mas que é comum ouvir pessoas discutindo não com um ramo da ciência, mas com um ramo do esporte: a Fórmula - 01 ou qualquer corrida de carros.

Se você estranhar, poderá pensar em uma corrida de carros de passeio, porque sei que dirige e o que mais espero mostrar é a lógica intrínseca neste exemplo.

Vencerá um piloto que for o melhor ou quem possuir o melhor carro? As pessoas se confundem e muito porque aqui entram duas variáveis e não só uma!

Veja, o piloto que chamarei de A é melhor pois já provou durante a sua carreira. O segundo é o B e, estando com um carro mais potente, conseguirá atingir maiores velocidade nos finais das retas e também nas curvas. Manterei outras variáveis, como a estabilidade, erros de marcha, freios, quebra do motor, etc., como fixas.

Não há dúvida que a cada volta a velocidade média de B será maior e ele se distanciará cada vez mais de A. E se você trocar os carros a situação se inverterá.

Agora, imagine se eu fixar uma variável destas duas, o carro. Eu dou dois carros exatamente iguais em potências para os dois pilotos. Também as outras variáveis que falei permanecerão as mesmas. O piloto A ganhará todas as corridas de B porque é mais habilidoso, possui “mais braço”, como se diz na gíria automobilística, que o rival.

E se eu fixar, embora é quase impossível mas vale aqui, os pilotos? Dois exatamentes iguais em reflexo, manobras para ultrapassagem, velocidades nas entradas e saídas das curvas, etc.? Vencerá quem  possuir o carro mais potente!

Então, na antiga briga, e hoje parece que tende a se acabar, entre psiquiatras e psicólogos, a mistura dos trabalhos dos dois é mais eficiente na cura e/ou amenização de problemas emocionais dos pacientes. Até pode ser que em alguns casos a psicologia seja preferida aos remédios e vice-versa.

No meu artigo “A psicoterapia como neurorreligação” -
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-psicoterapia-como-neurorreligacao.html - no nono parágrafo, digo o seguinte: “No excelente artigo ‘Psicoterapia e neurociências: um encontro frutífero e necessário’, da Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, os autores  relatam o seguinte: ‘A Neurociência tem demonstrado que um comportamento pode ser aprendido e aperfeiçoado pela experiência, que altera a ‘voltagem’ das sinapses na rede neural, provendo a formação de novos circuitos neurais e novas memórias, acessíveis em ocasiões posteriores (Kandel, Schuartz & Jessell, 2000).’’

Outro relato diz: “Os estudos com neuroimagem […] objetivam pesquisar alterações anatômicas especialmente relacionadas à volumetria de estruturas encefálicas e funcionais para investigarem alterações na dinâmica do fluxo sanguíneo encefálico, aumento ou decréscimo de ativação nas estruturas e circuitos neurais (Peres & Nasello, 2005).”

Os remédios para a ansiedade, depressão, etc., aumentam ou diminuem a quantidade de neurotransmissores em conjunto de circuitos cerebrais.

Práticas psicológicas e com remédios, e tanto uma quanto à outra, modificam o funcionamento e/ou alteram áreas cerebrais melhorando o comportamento das pessoas.

A neurorreligação faz parte, aparece tanto em uma como na outra e no conjunto das duas: é o benefício atingido pelo esforço mental e/ou com remédios.

Enquanto psicólogos brigavam com os psiquiatras e vice-versa, a neurorreligação estava ali, se iniciando e se consolidando em nível micro, com áreas cerebrais, irrigação sanguínea, maior produção de neurotransmissores ou bloqueando o efeito de outros, etc., a produzir um melhor desempenho em comportamento das pessoas, ou seja, em nível macro.





quinta-feira, 9 de março de 2017

A equação E = m.c² como a base de toda a Física

A equação mais famosa do mundo, onde muitos conhecem a sua expressão mas poucos sabem o seu significado, é E = m.c².

Da Teoria da Relatividade de Albert Einstein (1879 - 1955), relaciona matéria e energia nos dando plena noção de que matéria pode ser transformada em energia e vice-versa. Qualquer grama de matéria, seja ela qual for, de qualquer material, pode ser totalmente transformada em energia.

Mas ela também pode nos revelar algo não muito divulgado a respeito do  universo onde vivemos, de galáxias ao Sistema Solar, da Terra e dos elementos químicos que formam nossos corpos, e tudo pelo redor de nós mesmos… O ar que respiramos, os alimentos e a água que ingerimos, a cama em que você dorme, o seu celular, computador, tudo!

Veja, quando você olha para a tela do seu computador, levantando uma xícara de café, muitos dos seus músculos dos dedos, do braço, da mão etc., se contraem, não? Mas se contraem porque as fibras musculares que os compõe também se contraem e isso é devido ao deslizamento de moléculas entre si que formam essas fibras. E esse deslizamento é devido a... Forças elétricas entre elas. Olhe aí a energia pois para uma força se manifestar faz-se necessário gasto de energia. No caso, energia elétrica.

Todas as reações químicas são devidas às forças elétricas que átomos, moléculas e íons exercem entre si. Da formação de uma simples molécula de sal de cozinha, o NaCl, até as reações mais elaboradas em nosso cérebro, formando nossa memória, raciocínio, consciência, sentimentos e emoções etc., vêm de forças elétricas. Olhe de novo a energia.

Processos fisiológicos como a respiração, digestão, as batidas do coração, enfim, os fenômenos da vida, estudados pela Biologia, só existem porque, em um nível submicroscópico, as forças entre cargas elétricas, íons, moléculas, existem... E então nós existimos.

Veja que falei de energia e matéria mas, e conceitos como o espaço e o tempo?

E = m.c².

Coloque “m” do lado esquerdo da equação. Fica:

E = c².
m

Mas “c” é a velocidade da luz, velocidade definida simplificadamente como espaço sobre tempo. Então:

E = [ espaço
m    [ tempo  ]²

E agora onze considerações e uma conclusão:

1 - Do espaço e do tempo, que definem a velocidade, você divide essa velocidade pelo tempo e obtém a aceleração, ou seja, toda a cinemática da Física.

2 - A energia pode ser transformada, sempre. E o conceito de força é a de um agente que existe porque houve gasto de energia (o conceito de trabalho) para tanto. Pronto, toda a Dinâmica e a Estática também estão aí.

3 - De "1" e "2" obtemos todo o estudo do movimento (sem a gravitação).

4 - A Termodinâmica é o estudo da energia térmica, incluindo movimento da energia, e das trocas de calor. Calor é a energia térmica em trânsito.

5 - A Ondulatória estuda as ondas mecânicas e sonoras. Nos dois casos existe a necessidade da presença de matéria.

6 - Massa atrai massa em razão direta dos seus produtos e na razão inversa do quadrado da distância (espaço). Temos a gravitação universal com a respectiva energia gravitacional.

7 - Cargas de mesmo sinal se repelem e de sinais opostos se atraem. Força elétrica -> energia. Carga em movimento - variação de espaço no tempo - cria o campo magnético. Força magnética -> energia. Campos elétricos e magnéticos se alternando e se propagando é uma das faces da natureza da luz.

8 - Os fótons possuem massa mesmo que muito pequena. Esta é a outra face da natureza da luz.

9 - Elétrons, que possuem massa e carga, acelerados por uma diferença de potencial, de energia, temos a corrente elétrica, a eletricidade.

10 - E temos a Ótica estudando os fenômenos da luz, sendo ela uma propagação eletromagnética ou uma propagação de fótons.

11 - As forças nucleares forte e fraca. Um átomo de chumbo possui 82 prótons em seu núcleo e, portanto, deve existir uma força muito poderosa para segurá-los juntos. Muita energia tem que estar presente. É a nuclear forte. A força fraca aparece em reações nucleares.

12 - E a Física de Alta Energia? Partículas (massa "m") e energia "E"!

Conclusão: Construímos toda a Física! E o nosso Universo! Eles todos vêm dos quatro conceitos relacionados pela equação de Einstein e então podemos dizer que tudo no Universo é espaço, tempo, matéria e energia?

Sim!

Tente achar outra coisa além desses primeiros quatro conceitos da realidade e você receberá um Prêmio Nobel!

Observação: uma das características mais marcantes de E = m.c² é o fato dela não especificar o tipo de matéria e energia que você estiver utilizando. Pode ser energia cinética, nuclear, eletromagnética, etc.; e a massa pode se apresentar em todos os seus estados como sólido, líquido, gasoso ou plasma, e, até mesmo como compostos orgânicos. É uma equação de formato geral.

Hoje procuramos saber a natureza da energia e matéria escuras no universo. Sejam lá como forem, obedecerão a essa equação do Einstein.





terça-feira, 7 de março de 2017

Explaining neuro-reconnection in a simple way - A new scientific term

Introduction:
With this text, my intension is to coin a new term in Psychology and Neuroscience, the neuro-reconnection, by several ways to work with psychotherapy. The cure and/or benefits obtained from psychotherapies aim an emotional improvement of patients, to have their job, social and personal lives back, increase or decrease of neural circuits, new memories, changes in the dynamic of brain blood flow, etc., phenomena regarding neuroplasticity, changes from micro to macro order in brain, i.e., patient’s effective behavior before their lives. This is the neuro-reconnection with full life by brain changes.

Wordkeys: neuro-reconnection, neuroscience, neuroplasticity, psychology, behavior.

Psychology studies behavior. Whether it might be animals or humans, it tries to understand the reason for each reaction before one or more several situations. Which is the answer? What is it/he going to do? Why did it/he do it? These questions are a very small sample of range of this subject, not considering the other areas it may acts, and only some of them are for humans: social, politics, corporate ones.

When you look at a person, you are analyzing his/her behavior, even you’re not a scientist. Take this example: the person is sitting in a chair in a subway station; it means he/she is waiting for someone or stopped to take a rest.

The scientists are worried with more complex behavior: why is the person so depressed? Why does a boy get too anxious before a girl?

Everything which is visible for humans has a correspondent in brain level from brain working or neural network. It seems simple, but it doesn’t. We have almost 100 billion of neurons; so, we have several networks which produce more complex behavior. Visible behavior. And these networks depend on substances named neurotransmitter to fulfill the lacks between the neurons for a nerve impulse goes through by neurons. This is called synapses and if a person doesn’t have these neurotransmitters, he/she will have troubles.

The neurotransmitter noradrenalin influences on our pleasure, happiness, humor, self-confidence, enthusiasm and alert state. Serotonin interferes in the impulsivity, aggressiveness, in sexual behavior and in pain (1).

So, in simple way, what occurs in micro level reflects on our macro behavior or, simply, behavior. Chemical reactions…

A depressed person is sad, he/she doesn’t have any energy to have a normal life. He/she stays on bed for hours, without hungry, without enthusiasm with life. As doctor Drauzio Varella said “On depression, the ‘existence’ is an unbearable millstone.” (2) There is a “softer” depression, although it’s not worth to explain its details here. It’s important to know the need of medicines and therapies in order to help depressed people. Religious practices also help to weaken this disease. Many people have overcome this situation after several losses (material and/or loved ones) when participating on worships, masses, meetings, etc., activities linked to their religion, and they have had their normal life back.

I’m talking about depression, but therapies, medicines (and here it’s possible to include psychiatry) and religious practices may help people to recover from several emotional troubles, because these actions also interfere on brain working.

See that emotional troubles, from softer to most severe ones, may have a great impact on people’s lives: the depressed person doesn’t work, doesn’t talk with, and people who live around him/her may feel the negative impact on their lives. As I mentioned, the treatment performs a new connection with society, a reconnection from improvements from inner states of brain, consequently, improving person’s macro behavior or, once more, behavior.

This is the neuro-reconnection I’m talking about.



Notes:

1 – Available in: “A depressão tem tratamento” [Treatment for Depression]. <https://www.saiadoescuro.pt/causas/5.htm>. Accessed in 3/7/2017.

2 - Available in: “Estresse e depressão” [Stress and depression].
<http://drauziovarella.com.br/drauzio/estresse-e-depressao/>. Accessed in 3/7/2017.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro

Palavras-chave: Neurociência, Religião, Cérebro, Sentimento, Relativismo religioso

Um valor se forma quando uma ou mais informações, chegando à sua mente, são memorizadas e têm a capacidade de, quando estimulada por algum fato futuro qualquer, gerar um sentimento que o levará a agir. É uma memória de emoção, em relação a algo material ou abstrato pelo qual nós seres humanos temos consideração, apreço, sentimento.


Simples assim? Não! Por trás de uma frase desta existe mais ciência do que você possa imaginar. Existem centenas de anos de pesquisas e descobrimentos, cientistas dando suas vidas pela verdade e nem sempre tendo sucesso, mas, não entrarei no assunto da história da ciência.


Quero esclarecer neste artigo algo que sempre digo, mas que não expliquei usando os conceitos acima: "a partir da infância uma criança terá os seus sentimentos 'canalizados' a acreditarem nos valores religiosos". Valores passados pelos pais, amigos, parentes, a religião local, as escolas, etc., enfim, do meio ambiente social. E por esses valores as pessoas se unem, fazem bem ao próximo, mas, também se matam!


Como é possível existir comportamentos tão antagônicos? Não é tão simples responder, mas entra aí a intolerância com os valores das outras religiões, o fato de cada uma achar os seus valores absolutos, de serem verdades absolutas e competirem diretamente uma com as outras de forma muitas vezes desastrosa. Ainda que no Brasil exista muita tolerância, reconhecida por outros países, lá fora é muito diferente.


Em meu texto "O paradoxo dos gêmeos religiosos" <http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/search?updated-min=2008-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2009-01-01T00:00:00-02:00&max-results=2>, digo da diferença de dois irmãos criados separadamente em meios sociais diversos onde as suas religiões são diferentes. Irão estranhar as crenças um do outro, os valores religiosos.


Veja, educados em culturas onde as informações que receberam não eram iguais, formarão muitos valores incompatíveis entre si. E é aí que entrarão em conflito se não houver tolerância. No texto falo, sendo um cristão e outro muçulmano... O cristão: "Deus é pai de Cristo e este veio ao mundo para nos salvar. A Bíblia é o seu livro sagrado onde existem ensinamentos dos Dois. O muçulmano dirá que acredita em Cristo, mas que ele fora apenas - e aqui já começa a briga - um profeta em nível terreno e humano. Maomé, inclusive não citado na Bíblia, é o profeta que escreveu um livro sobre tudo o que o deus Alá queria para o povo na Terra. O livro é o Corão e nem queira dizer a eles que o que está escrito lá não tem nada a ver com a nossa realidade neste mundo!".


Receberam informações diferentes que, memorizadas, possuiram a capacidade de gerarem ações diferentes ou, no mínimo, com muita incompatibilidade porque os sentimentos são diferentes. E nem preciso dizer o quanto os sentimentos são poderosos em nossas vidas.


Mas no primeiro parágrafo temos conceitos científicos relacionados com valor. São eles: informação, mente, memória e sentimento. Estes conceitos foram um a um compreendidos pela neurociência como manifestações das atividades neurônicas em nosso cérebro que descrevo aqui:


1 - Informação: os neurônios transmitem informações entre eles sendo as unidades básicas no cérebro, responsáveis por esse fenômeno. E esse fenômeno já é conhecido há muito tempo desde a década de, pasmem, 1890, quando o neuroanatomista espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934) descreveu o que se chamou de "a teoria do neurônio", a teoria da organização neural, com quatro princípios:
1a. Existe uma célula, que Cajal chamou de neurônio, que é a unidade de sinalização elementar do sistema nervoso;
2a. O prolongamento de um neurônio, o axônio (transmissão), se comunica com os dendritos (recepção) de outros neurônios em uma região chamada fenda sináptica. Mais tarde os cientistas descobriram que o impulso só passa de um neurônio para outro com a presença de substâncias químicas, os   neurotransmissores, se acumulando nessa região que é vazia, fenômeno esse conhecido como sinapse;
3a. Um neurônio se comunicará somente com células específicas e não com outras;
4a. Dentro de um neurônio o sinal viaja somente em uma direção e sentido. Com isto é possível rastrear como o sinal se comunica com as outras células nervosas.


Feito isto, Cajal, recebendo o Nobel de 1906 de fisiologia ou medicina, estabeleceu as bases do funcionamento cerebral em termos simples que são os neurônios.


2 - Memória: existe uma base química para a memória descoberta pelo cientista americano Eric R. Kandel, Nobel de fisiologia ou medicina em 2000, em que ele brilhantemente explica no livro "Em Busca da Memória" (Kandel, 2009).


Existe a memória de curto prazo e a memória de longo prazo, onde a primeira é um fortalecimento das sinapses com uma maior liberação de neurotransmissores. Já na segunda acontecem dois fenômenos: substâncias estimulando um gene do neurônio a produzir novos prolongamentos do axônio para haver mais sinapses e também se aumentando a produção de neurotransmissores do que na memória de curto prazo. Uma observação tem que ser feita aqui: nas duas ocorrem interações de diversas substâncias químicas não sendo viável descrevê-las em um texto simples e pequeno como este.


3 - Sentimento: sensação devido a estímulo (s) externo (s) ou interno (s) fazendo com que haja ou não a liberação de neurotransmissores em neurônios de diversas áreas cerebrais em conjunto, ocorrendo ou não a liberação de hormônios e/ou neurotransmissores pelo nosso corpo. É bom salientar que nós percebemos uma sensação ou um sentimento não só em nossos cérebros, mas também pelo corpo. Por exemplo, o alívio de uma angústia com o alívio de uma sensação ruim em nosso peito acompanhada do desaparecimento também de pensamentos negativos. Quando você está feliz, sua mente está equilibrada no sentido de pensamentos positivos acompanhada de uma ótima sensação pelo corpo devido às substâncias químicas nele liberadas.


4 - Mente: estado produzido pelo funcionamento de várias regiões do cérebro. Cuidado com a palavra "estado"; ela se aplica a (quase) todos os ramos da ciência, mas é estudada de forma geral na teoria dos sistemas e em sistemas complexos. Uma definição para o leigo seria a de como o sistema, em nosso caso as várias regiões cerebrais, subsistemas do cérebro, estão produzindo a nossa mente, de como ele está no momento. Você está concentrado em uma tarefa? Está pensando em como realizar aquela viagem na próxima semana? Preocupado com o aluguel? Veja que a mente é algo muito dinâmico porque enquanto você pensa em algo, seus olhos podem reparar um carro na rua enquanto seus ouvidos estão captando um barulho de uma reforma em um prédio que te perturba.


O eminente neurocientista português António R. Damásio diz em seu livro, "E o Cérebro Criou o Homem" (Damásio, 2011), que a mente não é só produzida inteiramente no córtex cerebral. Ela é a porção mais recente do cérebro evolutivamente falando, responsável principalmente pela nossa lógica, o raciocínio lógico e maior que nos outros animais em relação ao tamanho cerebral.


Damásio fala também do tronco cerebral, de suas duas divisões, o núcleo do trato solitário e o núcleo parabraquial, e o terceiro seria o colículo superior como produtores da mente. Ele é a maior autoridade mundial no assunto de sentimentos, emoções e consciência no momento, tendo escrito vários livros sobre estes assuntos.


Veja os valores religiosos: informações chegam a uma criança, no próprio meio ambiente social, às dezenas, centenas, sempre, como fatos absolutos da religião local e, quando ela as memoriza e passa a senti-las, levando-a a uma ação ao receber um estímulo, elas estarão definitivamente concretizadas em sua mente. Na verdade os valores ficam com a criança como memórias de emoção. No decorrer da vida alguns poderão mudar ou não, podem se intensificar, etc. 


Padres da igreja católica não casam; bispos evangélicos, cristãos como os padres, casam. Você coloca santos em sua sala mas para outros cristãos isto é absolutamente inadmissível. Mulheres islâmicas escondem todo o corpo nas "burkas" enquanto no Brasil se mostra quase tudo do corpo. Valores... Islâmicos rezam em direção e sentido à cidade de Meca e os cristãos rezam em qualquer lugar. Hindus e xintoístas adoram muitos deuses e os cristãos a só um. Valores...


Mas o que mais interessa aqui é como esses valores se formam em nossos cérebros.


Dei explicações em parágrafos anteriores de como entender quatro fatos científicos,  a  informação, mente, memória e sentimento. Então como se forma um valor a partir destes fatos neurocientíficos?


Agora entra um conceito da teoria dos sistemas e da ciência da complexidade um tanto difícil de explicar ao leigo, o de propriedades emergentes.


Dois ou mais fenômenos juntos produzem outro que, sozinhos, os primeiros, não conseguiriam realizar. É como ver o novo fenômeno de um plano acima, olhando para aqueles embaixo que o forma.


Darei um exemplo simples: um próton possui características, propriedades como carga e massa. Carga positiva. O elétron possui carga negativa e uma massa muito menor que a do próton. O nêutron possui massa, quase igual a do próton, mas sem carga. Agora imagine uma quantidade infindável deles em um recipiente. Talvez se comportem como um gás, mas, se eles, por algum motivo, se configurarem em átomos de hidrogênio, oxigênio, e produzirem água, terão novas propriedades físico-químicas diferentes das partículas e átomos em separado. Veja que a propriedade emergente - água com propriedades novas -  só apareceu depois que eles se reuniram de maneira especial.


Então, quando eu disse as quatro primeiras palavras deste artigo, "um valor se forma", eu estava me referindo a isto, mas precisei explicar aqueles quatro fatos: informação, mente, memória e sentimento, para até chegar aqui. O valor pode ser considerado como uma propriedade emergente das interações físico-químicas, dos neurônios, em regiões específicas do cérebro.


O valor, seja ele qual for, inclusive o religioso, não precisa de uma alma ou espírito, ou de um deus para existir. Digo deus em "d" minúsculo porque me refiro aos deuses de todas as seitas e religiões que o ser humano inventou. Afinal, matéria e energia comuns já estavam presentes em todas as formas de vida que, em algumas delas, chegaram até nós.



Bibliografia:
CASTRO, A. M. O. Sentindo e agindo. Um novo homem para um novo milênio. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 1999.

DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 439 p.


KANDEL, Eric R. Em Busca da Memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. pp. 76-84.