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sábado, 7 de abril de 2018

O Relativismo Religioso como fato através das experiências do neurocientista Andrew Newberg

Palavras-chave: neurociência, religião, crença, Andrew Newberg, meditação, relativismo religioso. 

Observação: este artigo é quase totalmente baseado em um anterior meu, de nome "Uma interpretação minha sobre os resultados de algumas experiências de Andrew Newberg", (1). Notei a possibilidade de, através dos resultados e algumas conclusões dele, em experiências com monges budistas tibetanos meditando e freiras católicas orando, sendo os cérebros escaneados, provar o Relativismo Religioso, assunto ao qual me dedico desde 2007.  

Introdução.  
Sendo o Relativismo Religioso um fato verdadeiro, então os valores religiosos de cada religião não serão absolutos, ou seja, não existirão na realidade. Deus não existirá? Não. Os deuses das outras religiões também não? Não. Sou cristão católico e cheguei a essas conclusões em ideias colocadas em um blog (2) desde 2007, e foi difícil para mim, após ter possuído uma educação cristã desde a infância como muitos leitores, escrever sobre isto em todo esse tempo. Uma das razões porque escrevi e escrevo é devido a minha sempre vontade de analisar o ser humano como ele é, sua natureza, para depois analisá-lo com respeito às influências do meio ambiente social no qual vive. As experiências de Andrew Newberg com monges budistas e freiras católicas confirmaram minhas expectativas sobre o Relativismo Religioso.  

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O relativismo religioso é o fato da pessoa acreditar na própria religião e nos seus valores religiosos como absolutos, corretos em relação às outras, sendo essas outras religiões também crentes no mesmo fato, ou seja, na realidade são relativos. Simplificando, cada religião se acha a correta. 

Existe somente de absoluto no ser humano, desde quando nasce, a capacidade de acreditar, possuir fé, mas, em quê? Naquilo posteriormente ensinados como valores religiosos em seu meio ambiente social. Para cada povo, em todo lugar e época, criaram-se valores religiosos e passaram de pai para filho ensinamentos nos quais eram absolutos para eles. (3) 
  
Valores religiosos (4) podem ser, e são, muito diferentes entre si, como, por exemplo, Ganesha, o deus hindu com corpo de homem e cabeça de elefante, o qual os hindus o reverenciam e muito pois além de ser o deus da remoção de obstáculos, em qualquer tarefa ou trabalho, é aquele onde se reza para a prosperidade material. Muitos outros atributos lhe são atribuídos e seria cansativo ao leitor eu colocá-los aqui. Basta essa breve descrição para notarmos o quanto existem de diferenças entre as religiões: compare com o cristianismo. 

Já o budistas acreditam em uma interdependência entre todas as coisas no Universo (5) e esse conceito é de grande valor para eles, ou seja, não só os valores religiosos podem ser benéficos a quem os praticam, mas também valores relacionados a outros conceitos construídos através do tempo por muitas civilizações.
         
O meio ambiente social é tudo aquilo envolvendo o desenvolvimento de uma criança, os pais, amigos, parentes, escola, etc. A religião faz parte e desde muito cedo, além de ensinamentos pelas pessoas, ela irá se deparar com inúmeras situações onde os valores religiosos serão mencionados, reforçados e cobrados por outras pessoas. (6) Por exemplo, ao desdenhar da oração Pai Nosso do cristianismo, a ser pronunciado em classe, um colega poderá dizer: "Isso é pecado. Fica quieto se não quiser orar". 

As práticas religiosas ou praticar aquilo nos dado como valores religiosos, como orar, entoar cantos, etc., são atividades mexendo com o nosso psicológico   porque os valores estão em nossas memórias e carregam consigo uma grande carga de emoções e sentimentos devido, principalmente ao mencionado antes por mim, sobre tantos anos de educação religiosa. 

Imagine então você podendo visualizar a atividade cerebral de uma pessoa durante uma oração, ou várias, se concentrando nos próprios valores religiosos. Depois você analisa a atividade do cérebro de outra, mas de uma religião diferente ou crenças diferentes. Seria razoável supor, dependendo dos estados mentais nos quais essas pessoas chegariam, o fato de interpretarem como sinais, evidências e até realidades sobre suas crenças? Bem, pelo menos elas não diriam nada a respeito dos valores religiosos das outras religiões. 

E aconteceu com monges budistas tibetanos e freiras como é descrito no seguinte relato das experiências de Newberg: "...Quando os cientistas estudaram as varreduras, sua atenção foi atraída para um pedaço do lóbulo parietal esquerdo do cérebro que eles chamaram de área de associação de orientação. Esta região é responsável por desenhar a linha entre o eu físico e o resto da existência, uma tarefa que requer um fluxo constante de informações neurais que fluem dos sentidos. O que as varreduras revelaram, no entanto, foi que nos momentos de pico de oração e meditação, o fluxo foi dramaticamente reduzido." (7) 

Os budistas se sentiram em comunhão com o meio circundante e fazendo parte desse meio sem separação... 
   
As feiras se sentiram em comunhão, em união com Deus... Uma delas disse: "Isto faz muito sentido para mim. Agora eu entendo o impacto que Deus tem no meu cérebro". (8)

E aqui está o ponto principal deste artigo: as sensações foram as mesmas para todos eles mas as interpretações tomaram rumos diferentes, cada qual de acordo com os próprios valores! Cada grupo buscou em muitos pontos diferentes de seus cérebros, as memórias daquilo aprendido desde muito jovens como sendo seus valores absolutos. 
Se Deus fosse absoluto, a Verdade Absoluta,  por que ele não apareceria nos comentários dos budistas? E por que as freiras pensaram no Deus cristão sem citar nenhum outro valor religioso de outra religião? 

Cheguei a essas conclusões desde 2007, soube das experiências de Newberg mais tarde mas não com detalhes, e, confesso, fiquei pasmo ao traduzir a página de pesquisa dele na internet, (9) notando muitas semelhanças com as minhas ideias. 

Como eu disse na "Introdução", não foi fácil para eu escrever sobre o RR até hoje, mas agora estou satisfeito porque tenho uma base experimental a me apoiar.
   

Material complementar de leitura: 

1 – Argos Arruda Pinto. Uma interpretação minha sobre os resultados de algumas experiências de Andrew Newberg. 2018. Disponível em: < http://argosarrudapinto.blogspot.com.br/2018/03/uma-interpretacao-minha-sobre-os.html >. Acesso em: 05/04/2018. 

2 Argos Arruda Pinto. Blog: O Relativismo Religioso – Como eu o vejo. 2007.  Disponível em: < http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br >. Acesso em: 05/04/2018.
  
3 – Argos Arruda Pinto. O acreditar e a fé como vantagens evolutivas. 2008. Disponível em: < http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/2008/02/o-acreditar-e-f-como-vantagens.html >. Acesso em: 05/04/2018. 

4 - Argos Arruda Pinto. Neurociência e como se formam os valores religiosos em nossos cérebros. 2017. Disponível em: < http://argosarrudapinto.blogspot.com.br/2017/02/neurociencia-e-como-se-formam-os.html >. Acesso em: 05/04/2018. 

5 - Budismo. Nova Enciclopédia Ilustrada Folha. São Paulo. Editora Folha de São Paulo. 1996. 2 v. 

6 - Argos Arruda Pinto. O meio ambiente social na formação das crenças religiosas. 2013. Disponível em: < http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2013/03/o-meio-ambiente-social-na-formacao-das.html >. Acesso em: 05/04/2018. 

7 - Mundo da Psicologia. O que faz a oração? O que o amor faz? 2017. Disponível em: < http://pt.psy.co/o-que-faz-a-orao-o-que-o-amor-faz.html >. Acesso em: 05/04/2018. 

8 - Nério Júnior. O Cérebro e a religião. 2013. Disponível em: < http://www.neriojunior.com.br/2013/06/o-cerebro-e-religiao.html?m=0 >. Acesso em: 26/04/2018.

9 – Andrew Newberg. Research Questions. 2018. Disponível em: < http://andrewnewberg.com/research >. Acesso em: 06/04/2018.