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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Ciência versus Religião: uma discussão inútil

Resumo

A ciência possui o seu modo próprio de trabalhar que, em primeira instância com  algo não comentado muito por aí, ou nunca, é a sua forma rígida de ver o universo como materialista, não admitindo a hipótese de fatos sobrenaturais a explicar e/ou ajudar a explicar os fenômenos da natureza. Já a religião cristã, em algumas passagens, principalmente no surgimento do universo e no criacionismo, coloca a mão de algo muito superior a nós comandando o desenrolar dos acontecimentos científicos. Acontece que a ciência não descobriria nada, não produziria tecnologia, se deixasse levar por fatos oriundos de intervenções sobrenaturais nos fenômenos da natureza. Ciência e religião entram em conflito constantemente porque uma quer explicar pelas suas crenças (ou descobertas), o que considera errado na outra. É nesse conflito que escrevo este artigo porque acho um desperdício de tempo e energia querer confrontar duas formas de conceber o que existe no universo, com duas maneiras diferentes de abordagem, tendo apenas alguns assuntos em comum.

Palavras-chave: ciência, religião, materialismo, evolução, criacionismo, big-bang.
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Eu, como um apaixonado pelas ciências desde a minha infância, passei várias vezes por uma mesma situação quando queria trocar ideias com amigos, colegas, pessoas em geral: ao mencionar o Big-Bang, várias delas me perguntaram se eu acreditava em Deus. Mesma pergunta ao falar da evolução. Estes são os dois maiores casos onde ciência e religião, em termos de assuntos importantes, se convergem em discussões como mencionei no resumo.

De uma região altamente densa de matéria, inchando ou explodindo, à crença de Deus criando o universo, existe muita diferença e intolerância.

O físico e matemático Isaac Newton ( 1642 / 4 - 1727 / 31 ) descobriu a principal fórmula da gravidade responsável pelo movimento da Terra ao redor do Sol, da Lua em torno da Terra, de todos os planetas ao redor do Sol e, como um primeiro exemplo, de nossos satélites artificiais enviando mensagens, imagens, dados computacionais, etc., a laboratórios terrestres. Mas se Newton, há quase 400 anos atrás, trabalhasse pensando em algo sobrenatural influindo na gravidade, ao invés só de fórmulas, números e desenhos, hoje não teríamos transmissões de televisão ao vivo, sinais de internet e telefonia, não teríamos o google maps e nem o google earth, observações e previsão de tempestades, previsões de nuvens, observar a poluição de cidades, nem enxergar territórios à noite ou através das nuvens; não poderíamos melhor observar o universo com faz o telescópio Hubble.

Mas a ciência não é realizada e nem produz tecnologia só com a gravidade e, talvez o melhor exemplo que eu poderia dar, seria sobre a medicina. Uma empresa fabrica um remédio para curar a gripe, doença uma, dentre tantas, fatais há décadas e/ou poucas centenas de anos… Os responsáveis ficaram atrás de algum poder, força ou ente sobrenatural para descobrir a fórmula e quantidade exata dele? Veja que só o fato de mencionar uma verdade desta, presente  em nosso dia a dia, revela o quão ridículo é a mistura, a discussão de ciência com a religião.

Pensando bem, a discussão do surgimento da Terra e do Universo, e a criação da vida com uma posterior evolução, são exceções em um número imenso de fatos que acharíamos ridículos. Olhe à sua volta e tente imaginar quanto trabalho, pesquisas, ideias, etc., foram necessários para se chegar aos materiais e objetos, com seus componentes, levando em consideração ainda o tempo muitas vezes amplo de, em um componente antigo ser modificado,  adaptado com outro e se formar um objeto dezenas ou centenas de anos depois. Por exemplo, de um fio que transmite eletricidade, já conhecido há mais ou menos 200 anos, até o fio do carregador do seu celular. Quer dizer, ninguém fica discutindo estes fatos; se prendem na origem do universo, na evolução e no criacionismo.

Um assunto ainda muito tímido, pelo menos aqui no Brasil, diz respeito àquilo que a neurociência, com suas descobertas estranhas para muitas pessoas, onde os nossos sentimentos e emoções existem devido a reações físico-químicas no cérebro. O cristianismo diz que elas são produtos de uma alma imortal, não sendo física mas algo divino além da matéria dentro de nós. (1)

A neurociência é uma ciência nova onde cuida especificamente do sistema nervoso como um todo, incluindo sua porção principal, o cérebro. Como ciência deve investigar fenômenos psíquicos, que seriam frutos da alma e/ou do espírito, como produtos estritamente da matéria e energia comuns, mas, mesmo assim, alguns cientistas tentam colocá-los em regiões cerebrais.

Sou pela investigação materialista e no meu artigo “A base material dos sentimentos” eu digo o seguinte:

‘“‘Nosso cérebro é composto de um número de combinações sinápticas que ultrapassa o número de átomos do universo conhecido. O número de estados mentais, então, é muito grande, mas é evidente que não somos afetados por todos eles. Mesmo assim o restante é considerável a ponto do cérebro entrar em estados riquíssimos em complexidade e singularidade, tornando-o fonte daquelas situações ora negativas, ora positivas, às quais chamamos de emoções e sentimentos.
Para muitos isso soa como puro materialismo, entretanto, os filósofos cristãos e teólogos, entre outros, e em épocas nada adiantadas em tecnologia, medicina, química, e ciências afins, atribuíram a causas sobrenaturais o que essas disciplinas estão descobrindo agora em termos de química cerebral. E os resultados dessas atribuições foram passadas de geração a geração até nós como fatos incontestáveis e intocáveis.
Se algumas substâncias químicas alteram profundamente os nossos sentimentos, então tudo aquilo que é sobrenatural, principalmente os nossos conceitos de alma e espírito, deverá sofrer com o tempo algumas modificações com respeito às suas influências sobre a nossa mente e nosso corpo. O futuro da ciência será em descobrir até que ponto eles são afetados por tudo que não é sobrenatural.’’’’ (Cérebro & Mente, 2001).

Em “A base material dos sentimentos - II:

‘“‘Sentimentos produzem comportamentos e possuem uma forte base material onde, desde há muito tempo, se atribui a algo imaterial, uma alma ou espírito, como aquilo que gera sentimento. A ciência está revelando um outro aspecto da realidade onde os sentimentos, e mais que isto, o que somos e pensamos, são produtos de reações ou conjuntos de reações físico-químicas. Ela pode chegar a um ponto onde se descobre que algo, longe do alcance de qualquer instrumento ou conhecimento, influi em uma ou mais áreas do cérebro, afetando todo ou parte de seu funcionamento. Mas, se perceberem uma certa circularidade, um fechamento na origem dos processos cerebrais, como se as reações fossem sustentadas sem algo incompreensível, imaterial, atuando nos cérebros das pessoas, então aí começaria uma revolução a qual menciono no meu primeiro artigo.’’’’ (Cérebro & Mente, 2001).


Digamos que realmente os cientistas descubram esse fechamento nos processos cerebrais. Muitas pessoas ainda irão acreditar em algo imaterial comandando a vida emocional do ser humano. O acreditar é livre: você acredita no que quiser mas como aconteceu com a teoria da evolução, muitas brigas irão começar. Infelizmente a separação entre a religião e a ciência, como descrevo neste artigo, é algo muito difícil!


Notas:

1 - Na verdade há muitas definições ou atribuições que fazem com respeito à alma e também com o espírito. Falarei aqui somente da alma e do espírito como “geradores” dos nossos emoções e sentimentos.

Bibliografia:

A base material dos sentimentos. Argos (de) Arruda Pinto. Disponível em: http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html. Acesso em: 11 fev. 2017.

A base material dos sentimentos - II. Argos (de) Arruda Pinto. Disponível em:

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