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quarta-feira, 12 de abril de 2017

A neurorreligação como o elo descoberto (e não perdido) entre a psiquiatria e a psicologia

Nos anos 70 e 80 eu sempre via calorosas discussões entre a psicologia e psiquiatria. A primeira não gostava ou não achava certo prescrever remédios, ou algo assim, e a psiquiatria prescrevia e não gostava, ou não achava certo as longas sessões de terapias em pacientes com problemas emocionais. Mas, eu pensava, não haveria um meio termo entre o modo de trabalhar desses dois ramos da medicina? Afinal, uma insônia, por exemplo, devido a um distúrbio emocional e que prejudicava a vida de trabalho das pessoas, poderia, em pouco tempo, com medicação,  restabelecer a ordem correta de sono e vigília de quem precisasse. Por outro lado, problemas existenciais, profundos, gerando os péssimos sintomas de ansiedade, angústia e até depressão, poderiam ser curados ou minimizados com sessões com psicólogos. E, enquanto a melhora não vinha, alguns remédios aliviariam esses sintomas tão desagradáveis e incômodos no dia a dia de quem as possuíam.

O meio termo estaria aí, neste sentido.

Acontece algo com frequência, no modo de raciocinar de até cientistas, que limitavam os trabalhos em que estão inseridos: a dificuldade em raciocinar não com uma só variável, mas com duas... ou mais…

Quero aqui mostrar um exemplo, totalmente fora deste assunto, mas que é comum ouvir pessoas discutindo não com um ramo da ciência, mas com um ramo do esporte: a Fórmula - 01 ou qualquer corrida de carros.

Se você estranhar, poderá pensar em uma corrida de carros de passeio, porque sei que dirige e o que mais espero mostrar é a lógica intrínseca neste exemplo.

Vencerá um piloto que for o melhor ou quem possuir o melhor carro? As pessoas se confundem e muito porque aqui entram duas variáveis e não só uma!

Veja, o piloto que chamarei de A é melhor pois já provou durante a sua carreira. O segundo é o B e, estando com um carro mais potente, conseguirá atingir maiores velocidade nos finais das retas e também nas curvas. Manterei outras variáveis, como a estabilidade, erros de marcha, freios, quebra do motor, etc., como fixas.

Não há dúvida que a cada volta a velocidade média de B será maior e ele se distanciará cada vez mais de A. E se você trocar os carros a situação se inverterá.

Agora, imagine se eu fixar uma variável destas duas, o carro. Eu dou dois carros exatamente iguais em potências para os dois pilotos. Também as outras variáveis que falei permanecerão as mesmas. O piloto A ganhará todas as corridas de B porque é mais habilidoso, possui “mais braço”, como se diz na gíria automobilística, que o rival.

E se eu fixar, embora é quase impossível mas vale aqui, os pilotos? Dois exatamentes iguais em reflexo, manobras para ultrapassagem, velocidades nas entradas e saídas das curvas, etc.? Vencerá quem  possuir o carro mais potente!

Então, na antiga briga, e hoje parece que tende a se acabar, entre psiquiatras e psicólogos, a mistura dos trabalhos dos dois é mais eficiente na cura e/ou amenização de problemas emocionais dos pacientes. Até pode ser que em alguns casos a psicologia seja preferida aos remédios e vice-versa.

No meu artigo “A psicoterapia como neurorreligação” -
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-psicoterapia-como-neurorreligacao.html - no nono parágrafo, digo o seguinte: “No excelente artigo ‘Psicoterapia e neurociências: um encontro frutífero e necessário’, da Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, os autores  relatam o seguinte: ‘A Neurociência tem demonstrado que um comportamento pode ser aprendido e aperfeiçoado pela experiência, que altera a ‘voltagem’ das sinapses na rede neural, provendo a formação de novos circuitos neurais e novas memórias, acessíveis em ocasiões posteriores (Kandel, Schuartz & Jessell, 2000).’’

Outro relato diz: “Os estudos com neuroimagem […] objetivam pesquisar alterações anatômicas especialmente relacionadas à volumetria de estruturas encefálicas e funcionais para investigarem alterações na dinâmica do fluxo sanguíneo encefálico, aumento ou decréscimo de ativação nas estruturas e circuitos neurais (Peres & Nasello, 2005).”

Os remédios para a ansiedade, depressão, etc., aumentam ou diminuem a quantidade de neurotransmissores em conjunto de circuitos cerebrais.

Práticas psicológicas e com remédios, e tanto uma quanto à outra, modificam o funcionamento e/ou alteram áreas cerebrais melhorando o comportamento das pessoas.

A neurorreligação faz parte, aparece tanto em uma como na outra e no conjunto das duas: é o benefício atingido pelo esforço mental e/ou com remédios.

Enquanto psicólogos brigavam com os psiquiatras e vice-versa, a neurorreligação estava ali, se iniciando e se consolidando em nível micro, com áreas cerebrais, irrigação sanguínea, maior produção de neurotransmissores ou bloqueando o efeito de outros, etc., a produzir um melhor desempenho em comportamento das pessoas, ou seja, em nível macro.





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