A evolução não é um caminho em direção à perfeição, mas um processo em que a complexidade do sistema nervoso surgiu como uma estratégia caríssima — porém extremamente eficiente — para processar informação e garantir a sobrevivência.
Aqui eu mostro a parte dessa árvore dos seres menos complexos em termos de matéria, energia e informação ao longo da história da vida, de bactérias, protozoários até ao ser humano, ou seja, o crescimento do Nível Funcional Sistema*, com também o crescimento da Lei do Aumento da Informação Funcional - LIFI:
1. A base: excitabilidade celular (unicelulares) Espécies: bactérias, protozoários.
O sistema: não há sistema nervoso. A "inteligência" é química.
Matéria e energia: a comunicação ocorre via fluxos de íons através da membrana celular. É o nascimento do potencial de membrana, a base elétrica de todo pensamento futuro. O gasto energético é mínimo, voltado quase totalmente para a manutenção básica (homeostase).
2. A rede difusa (Primeiros Multicelulares) Espécies: cnidários (águas-vivas, anêmonas).
O sistema: rede nervosa difusa. Não há cérebro; os neurônios estão espalhados pelo corpo.
Matéria e energia: surgem os primeiros neurônios e sinapses. A energia agora é gasta para coordenar movimentos contráteis básicos. É um sistema "democrático": qualquer parte pode responder ao estímulo.
3. A cefalização (bilatérios) Espécies: platelmintos (vermes planos).
O sistema: o surgimento da "cabeça". Os neurônios começam a se agrupar em gânglios na parte frontal.
Matéria e energia: centralizar o processamento economiza tempo e "fiação". Começamos a ver uma concentração de matéria orgânica especializada em processar sentidos (visão primitiva) na frente do animal.
4. O tubo neural e o plano vertebrado (peixes e anfíbios) Espécies: primeiros vertebrados.
O sistema: o sistema nervoso centralizado em um eixo (medula espinhal) e um cérebro dividido em três partes: anterior, médio e posterior.
Matéria e energia: aqui o investimento energético sobe. O cérebro começa a coordenar funções complexas como natação predatória. A matéria é protegida por osso (crânio/coluna), sinalizando o quão valioso esse "hardware" se tornou.
5. A expansão do telencéfalo (répteis e aves) O sistema: surgimento de estruturas como o complexo R (instintivo) e o início de processamentos sensoriais mais refinados.
Matéria e energia: o metabolismo aumenta. Aves, especialmente, possuem neurônios densamente compactados para economizar peso (matéria) sem perder poder de processamento (energia).
6. O neocórtex e a explosão metabólica (mamíferos a humanos) Espécies: de pequenos mamíferos a primatas e Homo sapiens.
O sistema: o neocórtex. Esta camada externa "dobrada" (giros e sulcos) permite espremer uma enorme área de superfície dentro de um crânio limitado.
Matéria e energia: o cérebro humano é o "buraco negro" energético do corpo.
Massa: representa apenas 2% do peso corporal.
Consumo: consome cerca de 20% de toda a energia (glicose e oxigênio) do organismo.
Nota – Veja também:
(*) PINTO, Argos Arruda. A dependência da informação com a matéria e a energia. In: PINTO, Argos Arruda. Argos Arruda Pinto. São Paulo, 6 out. 2025. Disponível em: https://argosarrudapinto.blogspot.com/2025/10/a-dependencia-da-informacao-com-materia.html. Acesso em: 13 fev. 2026.
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