Argos Arruda Pinto

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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Neurorreligação

Escrito em: 17/10/2016. 
Revisado em: 15/10/2019. 
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Palavras-chave: neurociência, psicologia, psiquiatria, terapia, meditação, religião, psicoterapia, neuroplasticidade.
OBSERVAÇÃO: para uma leitura mais aprofundada sobre este tema, ler o artigo neste mesmo blog "Neurorreligação: o resultado da cura pela psiquiatria, psicoterapia, práticas religiosas e a meditação através da neuroplasticidade" - https://argosarrudapinto.blogspot.com/2018/05/neurorreligacao-o-resultado-da-cura.html


Uma pessoa pode se afastar da sua vida social, relações amorosas e do trabalho devido a problemas emocionais. A depressão é um exemplo comum desses problemas.
Psiquiatria, terapias, meditações e até práticas religiosas e/ou um conjunto delas podem resolver esses problemas. Essas quatro práticas promovem a neuroplasticidade, ou seja, alteram o funcionamento neuronal, propiciam a formação de novos axônios e dendritos ou alteram a configuração de circuitos neurais.
A pessoa se cura, volta a sua vida normal, afetiva e de trabalho. Ela se religa ao seu mundo de antes dos seus problemas emocionais devido à neuroplasticidade.
Dei um nome a isto: neurorreligação.
Neuro de neurônio, neuroplasticidade, rede neuronal e religação de religar-se mesmo.
A cura vem de pequenos ajustamentos do tecido neural.
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A prática constante e/ou intensa de terapias (incluindo-se aqui a psicoterapia) e/ou meditações e/ou tratamentos psiquiátricos, pode levar a uma melhora das condições psíquicas das pessoas. Por condições psíquicas entende-se comportamentos adequados, um maior entendimento de si e/ou dos próprios problemas, um posicionamento adequado perante a vida, alívio de sintomas de ansiedade, angústia, insônia e depressão, etc. 
Mas a prática religiosa pode também melhorar a qualidade de vida das pessoas. Orações, missas, cultos, etc., compõem esse quadro de atividades com possíveis resultados como acima. 
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“A psicoterapia é uma forma de tratamento de distúrbios e doenças mentais havendo uma interação entre um profissional e o paciente, onde, por intermédio de conversas entre os dois, o paciente acaba conhecendo melhor os seus problemas, e, por isto, aprender a resolvê-los. Nesta interação o paciente também aprende a melhor se adaptar e agir no meio ambiente social em que vive, melhorando a própria qualidade de vida e a inteligência emocional como um todo. Como efeitos de longo prazo, novas capacidades e competências são adquiridas em nível da personalidade, aumento da autoestima, um posicionamento mais eficaz perante a vida”. Estas palavras estão no meu artigo “A psicoterapia como neurorreligação < 
“Em 2005, Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts, conseguiu mostrar, através de imagens de ressonância magnética, que a meditação aumenta a espessura do córtex pré-frontral cerebral – região associada ao planejamento de comportamentos cognitivos complexos. A espessura da ínsula direita – ligada às sensações corporais e às emoções – também se mostrou mais grossa em praticantes de RR em relação ao grupo de controle. Foi a primeira evidência de que a meditação está associada a alterações na estrutura do cérebro”, como eu disse no meu artigo “A meditação como Neurorreligação < 
Então, a prática religiosa também não levaria o cérebro a um mesmo caminho, alterando-se estruturas e/ou o funcionamento de áreas cerebrais específicas, através da neuroplasticidade, ou em conjunto, afetando, em todo ou em partes, o comportamento e/ou a personalidade das pessoas? 

Veja o que diz o pai da neuroteologia, Andrew Newberg, incluindo a fé como o principal vetor desse processo: "Um teólogo dirá: a fé é essencial para a crença religiosa, mas nossa pesquisa de escaneamento cerebral,  documentada em nosso novo livro, 'Como Deus pode mudar sua mente - um diálogo entre fé e neurociência' (trad. brasileira), (1) nos levou à conclusão de que a fé é a coisa mais importante para uma pessoa manter um cérebro neurologicamente saudável. De fato, acreditamos nela como mais essencial em comparação com o exercício, especialmente à luz da pesquisa cumulativ mostrando como a dúvida e o pessimismo podem encurtar sua vida por anos. Pela fé, queremos dizer a capacidade de conscientemente e repetidamente manter uma visão otimista de um futuro positivo - sobre si mesmo e sobre o mundo. Quando você faz isso - através de meditação, oração ou intensamente focando em um objetivo positivo - você fortalece um circuito único em seu cérebro, melhorando a memória e a cognição, reduz a ansiedade e a depressão e aumenta a consciência social e a empatia em relação aos outros. E não importa se as meditações são religiosas ou seculares." (2)
Neurorreligação é um termo abrangendo todas as diversidades de esforços mentais, mexendo com a nossa racionalidade, emoções e sentimentos, a melhorar nossos comportamentos a partir de modificações estruturais e funcionais de áreas cerebrais devido à neuroplasticidade. 
A Neurociência conseguiu muitos avanços para que eu possa dizer algo assim. Não sou neurocientista ou psicólogo, sou físico, mas estudo vários ramos da ciência e escrevi vários artigos sobre esses assuntos, relacionados neste texto após as referências.
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Referências: 

1 – Newberg, A.; Waldman, M. Como Deus pode mudar sua mente - um diálogo entre fé e neurociência. 1a. ed. São Paulo: Editora Prumo, 2009. 368 p. 
  
2 - Newberg, A.; Waldman, M. Why your brain needs God. 2018. Disponível em: < https://www.onfaith.co/onfaith/2009/03/27/faith-is-essential-for-your-brain/1746 > Acesso em: 22/05/2018.
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Meus textos:

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- Na revista Cérebro & Mente - UNICAMP < www.cerebromente.org.br >: 
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1 - A base material dos sentimentos < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html >
In english: The material basis of feelings < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos_i.html >
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2 - A base material dos sentimentos - 02 < http://www.cerebromente.org.br/n13/opiniao/material.html >
In english: The material basis of feelings - 02 < http://www.cerebromente.org.br/n13/opiniao/material_i.html >
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3 - O porquê dos nossos sentimentos < http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html >
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4 - O porquê dos nossos sentimentos - 02 < http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html >
In english: Our feelings. Why do we have them - (2) http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2_i.html >
  
  
- No meu blog "O Relativismo Religioso - Como eu o vejo" < http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br >: 
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4 - Esclarecimento sobre a fé para os meus artigos http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2014/04/esclarecimento-sobre-fe-para-os-meus.html >

   
CONSIDERAÇÃO: a neurociência está neste momento em um limiar entre descobrir se muitos dos processos mentais são influenciados por algo sobrenatural ou se o cérebro funciona como funciona por si próprio independente de qualquer ligação imaterial. É o que também digo no meu primeiro texto que escrevi sobre este assunto, embora inicial, "A base material dos sentimentos" < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html >

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Se a Psicologia é uma Ciência, por que admite a espiritualidade?

Para não perder adeptos! 

Mas, como assim adeptos? 

Você procura um psicólogo pois está com um problema emocional, digamos, muita ansiedade no trabalho. Então começa a realizar sessões de terapia e o psicólogo logo no começo desse tratamento diz a você esquecer Deus, sua religião, seus cultos e/ou missas, que o cérebro é uma máquina biológica precisando sim ser melhor entendida por você, ou seja, se não sabe, vá estudar. Pronto, acabou! 

Vivemos em sociedades nas quais a religiosidade é muito forte e, no caso do Brasil, assim como na maioria dos países ocidentais, sentimentos e emoções são originados pela nossa alma, e um psicólogo pedirá a você cuidar da sua espiritualidade, a frequentar mais os cultos ou as missas, orar em casa, etc. 

Um psicólogo nunca irá bater de frente com nenhum paciente com respeito a esse assunto pois sabe das influências dos valores religiosos na formação da personalidade de uma criança, ensinada, primeiro, sobre o que a religião diz, para depois se tornar um valor religioso: Deus, Bíblia, orações, etc. São memórias de sentimentos. Outras religiões também o fazem e aqui cabe algo da incrível natureza do nosso cérebro: o poder de aprender! Simplesmente isso. Aprendeu a orar por Ganesha a obter sucessos financeiros... E quem é Ganesha? Um dos muitos deuses cultuados pelo hinduísmo, também primeiro ensinado aos hindus para depois se tornar um valor religioso. Eles rezam ao Deus cristão? Não, não aprenderam sobre Ele e então não é um valor religioso em suas vidas. E assim o é em todas as religiões diferentes do cristianismo. Nem entrarei no campo de quem está correto pois é relativo: cada um acha corretos os ensinamentos passados a ele. 

Você se lembra de algum acontecimento no qual aprendeu e passou a gostar, admirar, um valor religioso? Me lembro, perto dos cinco anos de idade, da bela árvore de Natal erguida em casa pelos meus pais. Alguns amigos mais velhos da vizinhança me disseram da comemoração do nascimento do Filho de Deus, Jesus Cristo, sendo o Seu Pai criador de tudo existente a minha volta. A natureza para mim era apenas o quintal de casa, mas foi Ele quem criou!
  
No hinduísmo as crianças aprendem sobre um trio de deuses, Brahma, Vishnu e Shiva, construindo e destruindo o universo, tudo existente. Se tornam os valores deles. Valores esses muito importantes pois as orações, com a fé, influirão no bem-estar psicológico deles. E Deus também para os cristãos. Mas eu disse "bem-estar psicológico". Pois é, tanto no hinduísmo como no cristianismo, e com as outras religiões, os cultos aos valores produzem as mesmas sensações, melhoram o humor, diminuem a ansiedade, mexem com a força interior das pessoas, despertam esperanças, motivam, etc. São realmente um bálsamo psicológico para todos. 

Eu acredito no potencial do nosso cérebro com os valores religiosos sem da necessidade de entes divinos e sim com as fortes memórias de sentimentos.

A Neurociência está descobrindo, e já descobriu muito sobre a dinâmica dos nossos sentimentos e emoções ocorrendo conosco. Um estímulo externo ou um interno como uma oração baseada em nossas memórias de sentimentos, faz com que circuitos neuronais, regiões cerebrais, etc., produzam substâncias levando-nos a sentirmos melhor, (1) através dos estados citados relatados acima... O cristão com as suas orações, o hindu com as deles e assim com todas as religiões que já existiram e as que existem. 

Sendo a alma, pela Bíblia, a produtora dos nossos sentimentos e emoções, ela se tornou um "fato" arraigado em nossas sociedades, tido como uma verdade absoluta e inquestionável.
     
Já ouvi de várias pessoas sobre psicólogos dizendo a elas para cuidarem de suas espiritualidades. De qualquer maneira elas se sentirão melhor orando pelos seus valores. Mas a Psicologia é uma Ciência e as ciências devem trabalhar com energia e matérias comuns e não através do sobrenatural, imaterial, influindo em nossos sistemas físico-químicos, biológicos. Até lá a Neurociência deverá descobrir muito da materialidade do que é dito hoje como sobrenatural! 
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Referência: 
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"O que é o sentir? Sentimentos e emoções" 

Material complementar de leitura - um artigo meu:
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"Por que Deus não 'nasce' junto nas cabeças das pessoas?" 
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Meu livro de Neurociência

O porquê dos nossos sentimentos: por que existem sentimentos e emoções negativos?
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Assunto:
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Sentimentos e emoções positivos foram "selecionados" pela Evolução porque produziam comportamentos adequados, em nós humanos, para a nossa perpetuação como seres vivos em nosso planeta Terra.
Eles são fenômenos naturais e devem ser explicados pelas ciências. A fé também é um sentimento e deve ser explicada como tal.
Mas e os sentimentos e emoções negativos? Por incrível que possa parecer, eles também foram imprescindíveis em nossa sobrevivência como espécie. Nós não conseguiríamos sobreviver às condições muitas vezes hostis dos nossos habitats se fôssemos 100% passivos, possuindo apenas sentimentos positivos. Este livro apresenta muitos fatos científicos e também ideias minhas sobre o assunto, estando em aberto porque realmente é muito polêmico, algo ainda a ser mais explorado pela Neurociência em conjunto com ciências afins.




  • Detalhes do produto

  • Capa comum: 92 páginas
  • Editora: Novas Edições Acadêmicas (27 de julho de 2019)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 6139790514
  • ISBN-13: 978-6139790517
  • Dimensões do produto: 15 x 0,5 x 22 cm 
  • Peso de envio: 186 g 

À venda em:

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Rápidas em neurociências: a base

Ele, o neurônio!
A base,
Uma célula,
Que emite sinais elétricos iônicos,
Que se comunica com outros neurônios,
Que formam redes,
Que atingem glândulas,
Que produzem substâncias químicas,
Que produzem sensações,
Que são os nossos sentimentos e emoções!