Argos Arruda Pinto

Argos Arruda Pinto
Facebook: Grupo Artigos de Física e Matemática - https://www.facebook.com/groups/424941321692611

Facebook:

Facebook: Grupo Publicações de Neurociência Cognitiva e Neurofilosofia - https://www.facebook.com/pubneurocognitiva. Facebook: Grupo Neurociência, Neurofisiologia e Teoria da Evolução - https://www.facebook.com/groups/916933883890969

quarta-feira, 19 de março de 2014

O porquê dos nossos sentimentos - Sobre ideias e conclusões que cheguei antes de António Damásio

Palavras-chave: neurociência, consciência, antónio damásio, teoria da evolução, e o cérebro criou o homem, sentimentos, emoções, bem-estar.

Primeiro quero dizer que é uma honra para qualquer escritor de divulgação científica ver algumas de suas ideias concordando com outras de um cientista de renome internacional como o neurologista e neurocientista António Damásio, no livro "E o cérebro criou o homem".Longe de qualquer comparação porque não tenho a experiência de mais de trinta anos como professor e pesquisador em uma universidade como ele, sou grato a este incrível cientista que investiga a consciência humana, um assunto que me fascina.

Escrevi dois artigos, "O porquê dos nossos sentimentos"2 e "O porquê dos nossos sentimentos – II",3 que foram publicados pela primeira vez na revista eletrônica Cérebro&Mente – www.cerebromente.org.br – em 2001 e 2002, respectivamente, e, depois, publiquei-os em um blog meu, “Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências”,4 em 2008. Hoje também estão em outro blog meu, "Explicando as razões pelas quais existem nossos sentimentos e emoções" - https://razaosentimentoemocao.blogspot.com.br/, juntos, com o nome "O porquê dos nossos sentimentos. Por que eles existem? - (2001 - 2002 - 2016) -
http://razaosentimentoemocao.blogspot.com.br/2018/02/o-porque-dos-nossos-sentimentos-por-que.htm.

Fazendo um pequeno resumo eu disse neles que os nossos sentimentos e emoções serviram e foram essenciais à perpetuação da espécie humana na Terra. Eles sempre foram e são a força de ligação entre pais e filhotes, em aves e mamíferos, basicamente, e em nós humanos também, nascidos sem nenhum preparo para enfrentar o mundo que nos rodeia, e, portanto, é uma ligação imprescindível para os genitores protegerem e ensinarem esses pequenos e indefesos animais até a maturidade.

Também falei que usamos os sentimentos, emoções, inteligência e a consciência para transpormos, para vivermos em um nível funcional sistêmico5 mais alto do que apenas dormir, beber, comer e termos filhos, embora não coloquei esta denominação como está aqui. Buscamos prazeres, podemos sonhar e irmos atrás dos nossos sonhos, temos desejos.  Somos livres para escolhermos caminhos dos mais diversos em nossas vidas, de tentarmos o que quisermos.

Isto é o próprio livre-arbítrio ou algo muito parecido com ele, uma conjunção dos quatro fatores acima. Veja como exemplos: (Nós) Sabemos que (nós) podemos. (Nós) Queremos e (nós) vamos atrás. "Nós" e "Eu" são a parte da consciência implícita em nossas ações (podemos, faremos, etc.). Veja que além de uma lógica, de uma previsão lógica, existem nestas frases muitos sentimentos e emoções.

Em meu artigo “O porquê dos nossos sentimentos” eu digo: "… Temos a capacidade de procurar sexo mesmo sem a intenção de procriar. Procuramos porque gostamos, porque faz bem, porque nos satisfaz. Chegamos ao ponto de nos deliciar com um prato só para nos satisfazer mesmo sem estar com fome, ou seja, sem a necessidade momentânea de sobrevivência; por puro prazer. Procuramos coisas como viajar, sair, encontrar alguém para gostarmos, nos divertirmos com amigos, porque faz parte do nosso lazer, do nosso bem-estar".

Depois completo: "Quero dizer que vivemos procurando atividades, conquistas, coisas que nos fazem bem, para a nossa felicidade e bem-estar. Se ora não conseguimos temos outras chances, temos nosso amor-próprio e continuamos a viver, a procurar. Temos fé,6 esperança, sonhamos".

No final do artigo: " … E sobrevivência para o ser humano engloba, além de sua natureza racional, tudo o que proporciona satisfação, felicidade, prazer, conquistas, etc. 'Estados' correlacionados com nossas emoções e sentimentos. Retire tudo isto dos humanos e verá a nossa espécie desaparecer."

António Damásio, português radicado nos EUA, no livro "E o cérebro criou o homem", entra no conceito cibernético e/ou da Teoria dos Sistemas, de homeostase, que é a propriedade dos seres vivos, ou de qualquer outro sistema aberto, de manter variáveis internas dentro de certos limites, regulando a si próprio deixando-o estável, sem se destruir, através de mecanismos regulatórios. Aliás eu sempre estranhei o fato dos cientistas desprezarem este conceito e outros da Cibernética porque qualquer forma de vida se mantém como tal utilizando a regulação biológica, química e física. São fenômenos estudados por esta importante e não valorizada disciplina do conhecimento humano, e tão bem explicada nos antigos e clássicos livros como, por exemplo, "Introdução à Cibernética", de W. Ross Ashby e "Teoria Geral dos Sistemas" de Ludwig van Bertalanffy.

A natureza atribui valores. Atribuímos valor inconscientemente e também conscientemente ao que nos faz bem, embora existam variações do que seja bem de umas para outras pessoas. Segundo Damásio: " …Tanto a homeostase básica, orientada de forma não consciente, como a homeostase sociocultural, criada e orientada por mentes conscientes reflexivas, atuam como zeladoras do valor biológico".7 Por sociocultural entende-se o nosso meio ambiente social contendo tudo aquilo ao nosso redor e/ou a nossa ação que nos levará a um mal ou bem.

Esse conceito de valor, ou valor biológico, é importante aqui porque está relacionado diretamente ou indiretamente se um organismo poderá sobreviver ou não. E não só isto: se uma mudança fisiológica e consequentemente mudança (s) em uma ou mais funções, mudará todo um comportamento, ou vários deles, se serão vantagens evolutivas ou não.

Para ter uma ideia sobre valor em nosso cérebro, como exemplo, a neurociência, nas palavras novamente de Damásio " … identificou várias moléculas químicas relacionadas, de algum modo, com os estados de recompensa ou punição e assim, indiretamente, associadas ao valor. Algumas das moléculas mais conhecidas serão familiares a muitos leitores: dopamina, norepinefrina, serotonina, cortisol, oxitocina, vasopressina [...] A neurociência também identificou uma série de núcleos cerebrais que fabricam essas moléculas e as distribuem a outras partes do cérebro e do corpo (os núcleos cerebrais são aglomerados de neurônios)".8

Para ele, valores em nós humanos regulam desde funções micros, automáticos, e também os macros relacionados a uma vida rica em bem-estar.

Não existe ser humano nenhum que não pense em seu próprio bem-estar. Por mais diferentes culturas a que pertencem, por mais diferentes sejam as vidas das pessoas, por tudo o que existe para procurar e melhorar o bem-estar, etc., esta sempre foi e será uma meta a alcançar.

Nos primeiros parágrafos de “O porquê dos nossos sentimentos” eu falo da nossa procura por sexo sem a necessidade de procriação para o nosso prazer, para nos sentirmos bem, que são faces do nosso bem-estar. Digo também de comer alimentos saborosos, sair, diversão, e, se você fizer uma lista de tudo o que procura e faz no seu dia a dia, em sua vida, ficaria exausto de tantas situações a descrever.

Veja, sentimentos, emoções, inteligência e consciência nos fazem indivíduos libertos a experimentarmos, procurarmos, etc., porque, como eu já disse: "…Retire tudo isto dos humanos e verá a nossa espécie desaparecer". Na verdade não seríamos nem humanos sem tudo isto.

Resumindo, a minha frase: "…E sobrevivência para o ser humano engloba, além de sua natureza racional, tudo o que proporciona satisfação, felicidade, prazer, conquistas, etc.", é a nossa sempre procura de bem-estar que Damásio cita em seu livro "E o cérebro criou o homem".


Notas:

1 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 440 p.


In english: “Our feelings. Why do we have them? - (2)”


5 - Na falta de um termo melhor ou apropriado. Considere o conjunto total de matéria, energia, informação e, principalmente, a qualidade dessa informação de um ser vivo. Alguns indivíduos podem possuir menos massa, gastar menos energia que outros, mas, tendo uma quantidade e/ou qualidade de informações superiores, em que pesem mais estes fatores, "por definição" vivem em um nível funcional sistêmico mais alto. É o caso dos humanos e das baleias. Elas possuem mais massa, gastam mais energia e possuem um cérebro maior que os nossos, mas, a nossa qualidade de informação é tão maior, que no conjunto total desses fatores, o nível funcional sistêmico, faz com que fiquemos em primeiro lugar. Muitos dinossauros eram pesados mas os cérebros bem pequenos os tornavam pobres em nível sistêmico, e, por outro lado, pequenos mamíferos como os roedores, com massas e muito menor gasto de energia que animais maiores, poderão ter, devido às suas vivacidades e inteligências, um nível funcional sistêmico mais elevado.

6 - Pode ser mesmo a fé em entes sobrenaturais (na verdade errônea) ou o acreditar e a fé em nós mesmos. Faço uma distinção clara entre elas em vários artigos meus, como por exemplo: 
"O acreditar e a fé como vantagens evolutivas"
"Consciência, Amor-Próprio, Fé e Transcendência"

7 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 43-44

8 - 1 - DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 67


quarta-feira, 5 de março de 2014

A Teoria da Relatividade não é difícil de entender - A relatividade da massa

Se você viajar a uma velocidade próxima a da luz, 300.000 km/s, sua massa, seu peso, aumentará muito e tenderá ao infinito quanto mais próximo chegar a esta velocidade! Ou seja, você nunca chegará!
Ficção científica? Não, realidade!
Para começar a explicar mais este fenômeno intrigante da Teoria da Relatividade do Einstein, direi algo importante sobre isto: sua massa aumenta não porque a quantidade de átomos ou moléculas aumentará em seu corpo. Ela aumenta devido à medida de como é realizada. Quando é realizada em uma balança comum você está em repouso em relação a ela.
É algo perturbador tentar intuir como tudo isto acontece mas podemos utilizar para este propósito a equação da relatividade formulada por Einstein:  E = m.c2.
Ela relaciona diretamente massa com energia e é uma das mais famosas equações, senão a mais, da Física.

Energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.
A luz possui uma velocidade constante em um mesmo meio e, como eu disse no outro artigo, “A relatividade do tempo”, neste blog, esta propriedade é fundamental na relatividade, nos fenômenos relativísticos. Não fosse assim a Teoria da Relatividade não existiria.  
O quadrado da velocidade da luz, c2, é também constante, um número, um invariante. Grande mas invariante.
Realizando uma pequena mudança dos termos da equação E = m.c2, passando a massa para o lado esquerdo temos:
E  =  c2        (1)
m

Isto quer dizer que a divisão entre a energia pela massa, em qualquer evento, é constante. A energia se apresenta de uma forma geral, podendo ser eletromagnética, nuclear, cinética, etc. Em termos de qualidade ou natureza, a massa também, mostrando a força desta equação na compreensão dos fenômenos do universo.
Estou falando de uma viagem espacial, ou seja, de energia de movimento ou cinética. Aumentando a velocidade da nave, a energia E aumenta e, para  a equação (1)  se manter constante, m deverá aumentar também.
Fazendo uma comparação com algo muito simples para você entender, pegue o resultado de uma fração qualquer, como 10/2 = 5. Se o valor 10 aumentar para 15 e se o resultado da fração terá que continuar 5, constante, o denominador 2 deverá aumentar também, neste caso, para 3.

Mais uma vez vemos o quão importante é saber que a velocidade da luz é sempre uma constante em um mesmo meio. Se não fosse assim a massa m poderia se manter constante... Da equação (1), E variando com c, e consequentemente c ao quadrado também variando, a massa poderia ficar constante, mas não é o caso.

terça-feira, 4 de março de 2014

A Teoria da Relatividade não é difícil de entender - A relatividade do tempo - Para estudantes do nível médio


Se você entrar em uma nave e viajar a uma velocidade muito próxima a da luz, durante, por exemplo, um ano, e depois retornar, verá que aqui na Terra se passaram milhares de anos. O quanto de tempo passará no planeta, em qualquer viagem, dependerá do quanto você estiver mais próximo da velocidade da luz que é de 300.000 km/s. Poderá ser de até milhões de anos!

E outro fato: quem observar a sua nave daqui verá que é mais curta em comprimento do que quando ela estava no momento da decolagem, parada - em repouso!

Ficção científica? Não, realidade! 

Tenho certeza que mais de 99% das pessoas por aí não sabem disso e se você disser um número maior ainda não acreditará.

Pois os dois fatos acima descritos por mim são a relatividade do tempo e a relatividade do espaço que explicarei neste blog.

Porque tudo ocorre da maneira quase inconcebível na relatividade, irei primeiro e brevemente falar da natureza do tempo. Veja, ao observar a oscilação de um pêndulo, você sente "que algo se passou" nessa oscilação. Este "algo" ou "alguma coisa" é o próprio tempo e todas as pessoas sentem o mesmo. E se o pêndulo ficar parado - em repouso - em relação a você, o próprio fato de observa-lo irá fazê-lo raciocinar ou perceber este fato, e isto também contribuirá para que você sinta a passagem do tempo. E por último, se você se desprender deste mundo e começar a imaginar cenas, pensar, sentirá também a passagem "de algo" que é o tempo, enquanto a sua mente troca de cenas. Acontecerá também se você se fixar em uma imagem.

Agora peço a você prestar atenção no pêndulo acima. Para você observa-lo faz-se necessário que a luz reflita nele e venha até aos seus olhos, se não, não enxergaria nada e ninguém também não veria nada em nosso mundo: pessoas, objetos, céu, ruas, tudo!

Dois americanos, Michelson e Morley, descobriram algo muito estranho em relação à luz, no final do século XIX: a velocidade dela não pode, literalmente, ser adicionada e nem subtraída da velocidade do emissor. E se você tiver sempre isto em mente, entenderá toda a relatividade do tempo e do espaço¹. Eles ganharam o Nobel em 1907, sendo os primeiros estadunidenses a receberem esse prêmio.

Veja, se você está em um carro a 100 km/h, e alguém nele atira um objeto no sentido do movimento, para frente, a velocidade desse objeto, para alguém que esteja parado - em repouso - será a soma da velocidade do carro mais a velocidade do objeto. Se este for lançado a 20 km/h em relação ao carro, sua velocidade em relação à pessoa em repouso - utilizarei este termo de agora em diante -, será de 120 km/h, ou seja, a soma das duas velocidades. Por outro lado, se a pessoa no seu carro atirar o objeto para trás, a velocidade dele, em relação a quem estiver em repouso, será de 80 km/h, a subtração das velocidades. Isto se aplica a objetos comuns, mas não com a luz e somente ela (e todas as  outras ondas eletromagnéticas).

Então pensemos em uma experiência com um emissor de luz, no laboratório de uma nave que viaja ao longe, com uma velocidade próxima a da luz, da esquerda para a direita, estando você em repouso em relação a ela e com um instrumento preciso - um ótimo telescópio - para  ver uma experiência.  O emissor se encontra na mesma distância entre as paredes opostas, uma a sua direita no sentido do movimento e outra à esquerda. Existem dois pêndulos prestes a serem colocados em movimento. O emissor de luz, gerando dois sinais em sentidos opostos,  um para a direita e outro à esquerda, colocará os pêndulos em movimento assim que chegarem a dois dispositivos para aciona-los. Um observador, uma pessoa, dentro da nave, e por estarem as duas paredes na mesma distância do emissor, verá os dois pêndulos iniciarem os seus movimentos ao mesmo tempo, digamos, às doze horas. Mas para você,  o feixe para  a direita, a 300.000 km/s, não podendo ser adicionado à velocidade da nave, estaria perseguindo o mecanismo que está na parede à direita, no mesmo sentido do movimento da nave. Mas o feixe para à esquerda não podendo ser subtraído da velocidade da nave, iria ao encontro do mecanismo! Resultado: o pêndulo de trás começa a oscilar primeiro que o da frente! Um antes das dozes horas e o outro depois.

Veja, você observa dois fenômenos físicos ocorrendo de uma forma bem distinta daquela da pessoa da nave. Como isto é possível? São os mesmos fenômenos!

Se a velocidade da luz pudesse ser adicionada à do emissor, o feixe para a  direita seria  "arremessado" para frente e o da esquerda subtraído, tendo uma compensação e os dois acionariam os dispositivos ao mesmo tempo. Mas a luz não segue a lei de adição e subtração de velocidades dos objetos, corpos a que estamos acostumados. Eu não colocarei aqui algumas contas de adição e subtração dessas velocidades, mas elas dariam certo, ou seja, a luz acionaria os pêndulos ao mesmo tempo para você também. E se eu  não as colocasse, o que demonstra ser a realidade da luz e das ondas eletromagnéticas, realmente, nas contas, seria mostrado que um pêndulo começaria o seu movimento antes do outro.

Ilusão de ótica? Não. As coisas são assim, o universo é assim porque a luz é assim... Todos os fenômenos físicos, e, generalizando, químicos, biológicos etc., tudo o que observamos e com isto construímos a tecnologia,  as ciências, etc., são dependentes dessas características dos fenômenos eletromagnéticos ou, se você quiser também, se considerar a luz como constituída de fótons.

E a sensação do "passar" o tempo para o observador da nave e você? Seriam diferentes sim! Digamos que o emissor de luz seja acionado manualmente, por um botão, pela pessoa da nave. Ela terá a sensação de passar o tempo do seguinte modo: após apertar o botão se passa um tempo; depois os pêndulos começam a se mover e daí para frente ela sente esse passar do tempo observando o movimento oscilante dos dois. E você primeiro também espera o tempo decorrer, mas até que o pêndulo da esquerda passa a se mover; depois sente o tempo passar até o segundo se mover, para depois sentir, ver, observar, os dois oscilando. Diferente não?

Em nosso mundo cotidiano, com objetos se movendo com velocidades bem inferiores a da luz, fica difícil, se não impossível, perceber essas diferenças, mesmo se se observar os veículos mais rápidos em que um ser humano já esteve: as naves Atlantis, Endeavour, etc. ou os foguetes Apollo para a Lua, que viajavam a +/- 30.000 km/h, correspondendo a 8,33 km/s. Você na Terra não perceberia a diferença de tempo entre os movimentos iniciais dos pêndulos, ou seja, eles começariam a oscilar como  o sujeito na nave estaria sempre os vendo: ao mesmo tempo.

A velocidade da luz é constante em um mesmo meio. Ela é menor na água, em nossa atmosfera, enfim, em meios onde há matéria e que ela possa atravessar, mas no vácuo é de 300.000 km/s. Por isto, a Física consagrou a sua representação algébrica como c, uma constante.

Conclusão: o tempo "se passa" diferentemente para objetos, animais, pessoas etc., dependendo da velocidade de uns em relação aos outros. E existem equações relacionando, para cada velocidade entre dois observadores, ou mais, a diferença de tempo entre eles.


Nota:

1 - Em qualquer livro da Teoria da Relatividade você irá ver que ela está apoiada no fato da luz ser uma constante universal, como eu disse aqui, e que as leis da Física são as mesmas para qualquer referencial inercial que se mova em velocidade constante em relação a outro. É o mesmo que dizer que qualquer experimento feito em um referencial desses poderá ser realizado também em outro. Inclusive a própria Terra pode ser considerada como tal se desprezarmos a gravidade e a rotação em torno do seu próprio eixo.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Como somos pequenos em relação ao nosso planeta Terra e como é grande o nosso poder de destruição, ou a estranheza do quadrado de 90km de lado!

1) Nesta postagem vou falar em muitos números e espero não cansar ninguém. No final apresento os cálculos que fiz, mas recomendo só para quem gosta de matemática.

O artigo não é longo, é dividido em duas partes. Os cálculos formam uma terceira parte, mas não é tão necessário querer entendê-los. Mas tenho certeza que no final deste artigo vocês terão uma surpresa.

Imaginem então que vocês fizessem um quadrado de 1m de lado, ou 1m² de área, e colocassem ali uma pessoa. Mas vocês também fariam outros ao lado deste, com a mesma área, e colocando também uma pessoa em cada m², até atingirem um comprimento de 90.000 metros, ou 90 km. Em ângulo reto com esta fileira de 90.000 pessoas, vocês também fariam a mesma coisa até chegarem a 90.000 metros com 90.000 pessoas. Isto seria os dois lados de um quadrado gigante, riscando o chão em pequenos quadrados de 1m de lado.

Se cada lado desse quadrado gigante possui 90.000 pessoas, qual seria a  quantidade de pessoas no total, preenchendo todo o interior desse superquadrado? Seria 90.000 vezes 90.000 que daria 8 bilhões e 100 milhões de pessoas, muito mais que a atual população mundial que é hoje de aproximadamente 7 bilhões de pessoas.

Acho muito estranho TODA a população da Terra, de bebês a idosos, preencherem só um quadrado de 90 km de lado, com cada pessoa ocupando um pequeno quadrado de 1m²! Parece que existe algo errado aí, mas não, o cálculo está certo. Eu já o havia feito há quinze anos e depois fiz no Orkut utilizando um quadrado de 80 km de lado, que poderia conter 6 bilhões e 400 milhões de pessoas, a população da Terra de poucos anos atrás. Confesso que fiquei muito tempo para visualizá-lo, ou seja, a população do mundo dentro desse quadrado onde 90 km não é nada perto das dimensões da Terra.

E vejam, por exemplo, que a distância de São Paulo a Campinas, não em linha reta, mas por vias comuns, segundo o site www.geografos.com.br, é de 99 km. Em linha reta é menos, sendo então que a população mundial caberia em um quadrado que um dos lados iria praticamente de São Paulo a Campinas e só!

2) Esse superquadrado, agora não tão grande assim para o meu propósito aqui, possui uma área de 90 km x 90 km  =  8.100 km², muito menor que a área da Terra que é aproximadamente 510 milhões de km². Se você dividir o quadrado pela área da Terra verá que o nosso "super" corresponde a aproximadamente 0,0016% da área do planeta! Só!

Acontece que os minúsculos habitantes da Terra estão conseguindo destruir a vida toda no planeta, com o auxílio, claro, daquilo que seus ascendentes inventaram e/ou fizeram: indústrias poluentes, desmatamento, máquinas poluentes - sendo carros, caminhões... Etc. E esses habitantes também constroem indústrias poluentes, etc., ou seja, dão continuação...

Uma das melhores passagens de "Matrix", na minha opinião, infelizmente não veio de Morpheus, Neo ou Trinity.  Veio do agente Smith. Quando Morfheus é capturado, o agente diz claramente: "Você sabe quais os dois únicos organismos que destroem seu habitat, tiram tudo dele, para depois procurarem outro e fazer a mesma coisa? Os vírus e os seres humanos".

Pois bem pessoal, nós caberíamos em um quadrado de 90 km de lado, representando apenas 0,0016% da área de nossa Terra e mesmo assim temos o potencial de destruir toda a vida exuberante que vemos por aí.

Que força viral não temos, não é mesmo?!

:::::

3) Os cálculos:

1º - Quadrado é lado vezes lado e colocarei em fórmulas sem símbolos, embora muito simples para alguns, facilita para outros. Ex.: uma sala quadrada de 9m de lado possui 9m x 9m = 81m² de área.


2º - A área da Terra é calculada por quatro vezes o número "pi" (3,1415), vezes o raio da Terra ao quadrado.

- O raio - distância da superfície até o centro - é, pesquise em dados físicos da Terra, aproximadamente 6.371 km;

- Então temos: 4 vezes 3,1415 vezes 6.371 ao quadrado, que dá aproximadamente 510.000.000 km².


3º - A relação entre as áreas do quadrado e da superfície terrestre:

- O quadrado já calculado é de 8.100 km²;

- Dividindo a área do quadrado pela área da Terra: 8.100/510.000.000, temos 0,00001588, que é aproximadamente 0,000016. Em porcentagem é só multiplicar por 100: 0,0016%.

É isto!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sobre o "bullyng" – Minha visão pessoal

O ser humano é essencialmente covarde. Se você não impor respeito perante as pessoas terá problemas. Digo de forma generalizada, mas não todas as pessoas, lógico, são covardes e seria difícil, senão impossível realizar uma estatística a este respeito. E muitos que não são poderão ter seus momentos de ódio ou raiva... Mas basta termos consciência aqui que, em qualquer sociedade, em qualquer grupo de pessoas, existirá uma percentagem muito grande de pessoas aproveitando da fraqueza dos outros. E este aproveitamento vem de várias formas.

Se uma pessoa é tímida, se não possuir respostas certas na hora certa, também terá problemas. Foi o meu caso quando da minha adolescência para a juventude, de quatorze aos dezessete anos. Eu gostava de ler, estudar, tirava notas altas na escola, mas isto gerava inveja, vinda de recalque, e o bullyng que sofri não foi com agressão física e sim verbal. Às vezes eu respondia, às vezes não e um dos pontos em que me pegavam era “você deixa de aproveitar a vida para só estudar”. E não era verdade porque, naquela época de 1977-78, eu frequentava as antigas “discotecas”, tinha minhas namoradas e os meus “rolos” com elas. Mas, quando querem aproveitar de você, quando não gostam de você, as pessoas covardes, maldosas, chegam a mentir para te pegar. E é aí que eu mais esquentava a cabeça.

Sofri deste mal até dentro da família, mas não irei expor detalhes por razões pessoais.

As pessoas covardes vivem testando as outras e quando encontram uma brecha, uma oportunidade de humilhação, fará sem dó. Mas eu tive uma chance. Reparava que quando alguém não tinha resposta para dar, fazia algo que nenhum pai ou mãe iria ensinar aos filhos, ou sabe lá se não: xingava! Sabe quando alguém não suporta mais a encheção de saco? Era isto e por mais errado ou não, se por muitas vezes me faltou educação, melhorei; com o tempo aprendi a ser polido em minhas imposições. E o mais incrível foi saber o quanto dentro da sociedade existia mais pessoas covardes do que eu imaginava na época.

O que eu sofri atrapalhou por anos os meus estudos porque tive uma crise existencial se o melhor da vida seria aproveitá-la ou levá-la a sério. Afinal eu era imaturo e tímido, inexperiente com a vida.

Só em 2008 conheci a palavra bullyng e me lembrei da adolescência. Sabia que havia algo errado naquelas encheções de saco, mas não imaginava a profundidade de como tudo aquilo iria me afetar. Na verdade me lembro da minha adolescência até hoje...

domingo, 26 de janeiro de 2014

Minhas frases

"A gente vai vivendo, presenciando fatos, adquirindo experiência de vida e chega uma hora em que você fala assim: "neste mundo eu duvido de tudo e ao mesmo tempo não duvido de nada". RS.
.

"O possível e o impossível estão muito próximos desde que você seja louco como eu." 

Autoria minha. RS.
.

"Eu gosto de ver todo mundo bem. Não conheço a inveja."
.

"Eu poderia renascer 1.000 vezes em 1.000 locais diferentes que sempre apreciaria a solidariedade e o humanismo entre as pessoas."
.

"O que é a vida? A vida é o que vc pode fazer com ela."
.

"Não farei mal a mim mesmo; não farei mal ao meu semelhante; não farei mal aos animais e plantas. Todos nós somos filhos da Mãe-Natureza."
.

"O ser humano é mais inteligente para arrumar problemas do que para resolver problemas."
.

"No dia em que alguma chuva ácida, em alguma metrópole do planeta, provocar ferimentos nas pessoas a ponto de muitas delas não mais saírem de casa, não saírem para gastar no comércio, não forem trabalhar, superlotarem hospitais, etc., aí sim as autoridades obrigarão as indústrias a poluirem menos, usando filtros especiais de gases ou outros recursos, para diminuirem a poluição."
.

"Eu não me enquadro em nenhum quadro social! Tenho amigo pobre, rico, intelectual, semianalfabeto, poderoso, sem poder algum, de todas as raças, de todas as cores.
Falo assim porque todos os quadros sociais possuem pelo menos uma restrição à alguma dessas pessoas que descrevi."
.

"Eu sou físico e, portanto, sintonizado com o Universo. Isto faz de mim uma pessoa calma e serena."
.

"Pelos meus ideais eu conquisto amizades, perco amizades, conquisto amigos e também perco amigos. Mas só eu sei que eu sou o melhor para mim."
.

"Para a grande maioria das pessoas, Deus é o dinheiro; mas elas farão de tudo para dizerem que não."
.

- "4% da riqueza mundial é o suficiente para amenizar as necessidades básicas do mundo."
Falo de uma "ecologia" humana:
Pensar que, no caso do Brasil, existem pessoas que são indiferentes ou não gostam da luta contra a pobreza. Acham simplesmente que ganhar ou não um pouco de dinheiro SÓ depende das pessoas em si e não tem a ver com os governos municipais, estaduais e federais, aumentando o número de empregos ao estimular a produção dos empresários - empresas e indústrias.
.

- Eu sou pela diminuição das desigualdades sociais no Brasil sempre, desde que me conheço por gente, e, pasmem, aos 10 anos de vida, na escola, havia quem me chamava de "protetor dos fracos e oprimidos", "defensor dos pobres", etc., ou seja, um certo "bullyng"...
.

sexta-feira, 21 de março de 2008

O acreditar e a fé como vantagens evolutivas - 02

Escrito em: 26/05/2014. 
Revisado em: 03/10/2018. 

Palavras-chave: Fé, Acreditar, Relativismo religioso, Teoria da Evolução, Neurociência, Cérebro, Mente.

Um bebê vem ao mundo com nada ou quase nada de informações extragenéticas, ou seja, em nível consciente. Conforme o tempo passa seu cérebro irá crescer, absorvendo estímulos do seu meio ambiente social, com seus neurônios se ligando de maneira a aprender, se comunicar, formar modelos da realidade – a água é fluida, escorre entre as mãos - etc. É uma atitude inconsciente quando, por exemplo, ele tira sua mão de um copo de leite muito quente. Já trouxe consigo, como uma reação natural do tato, engendrada em seu cérebro pelos seus genes, mas agora, com outro sentido, a visão, e, em conjunto com a inteligência e sua memória, o farão a ser cauteloso em situação parecida, chegando com sua mão próxima a outro copo, com aquele líquido branco, verificando se pode pegá-lo ou não. Observará sua mãe esquentando aquele líquido no fogo em outro recipiente para colocá-lo em copos. A informação extragenética é algo muito poderoso em sua vida. É o aprendizado. 

Mas não só o intelecto atua na criança em seu despertar para as informações e experiências vitais ao seu desenvolvimento e adaptabilidade. As emoções estão presentes também. Ela voltará a comer uma fruta, do tipo daquela a qual o gosto lhe proporcionara uma sensação maravilhosa de bem-estar, de prazer, mesmo sem fome. Vontade, ânsia, desejo, emoções básicas do ser humano quando da interação com o seu meio ambiente. 
Como disse em meu artigo “O porquê dos nossos sentimentos – 02” (1): “somos seres racionais e emocionais, não podendo separar uma característica da outra quando em muitos envolvimentos interativos. E acontecem nas mais diferentes formas e intensidades.” 

A alimentação é algo imprescindível na vida de um ser humano, na sobrevivência de sua espécie, mas também podemos falar em algo também importante, ligado ao seu bem-estar e à sobrevivência: o equilíbrio emocional. Irei falar sobre ele nos dois próximos parágrafos. 

Equilíbrio é fundamental em nossas vidas pessoais e profissionais. Sem ele não poderíamos viver a vida na plenitude pretendida por nós. Não dormiríamos quantitativamente e qualitativamente a repormos nossas energias, estaríamos em constante choque com os nossos semelhantes ou passivos demais para lutarmos em busca de nossas necessidades materiais, viveríamos com medo de tudo ao nosso redor, prejudicando seriamente nosso presente e futuro, etc. 

Nosso equilíbrio é afetado por desordens internas e/ou externas a nós. Nascemos com metade dos genes de cada um de nossos pais. Os genes constroem nossos cérebros a partir da concepção e um ou mais erros nessa construção poderão levar-nos a problemas mentais no futuro. Mas não é só isso. Conforme o cérebro se desenvolve da idade infantil até a fase adulta, os estímulos negativos e positivos do meio, simplificando ao máximo possível esse fato, poderão afetar as ligações sinápticas dessa arquitetura neural, levando-o a um mau funcionamento de várias de suas áreas. Isso acarreta em comportamentos inadequados ao mundo em nosso redor. 

Uma criança tem em seu início de vida muita informação passada pelos pais, irmãos, parentes, amigos, escola, etc. Seu cérebro vai se desenvolvendo com todas essas informações e também com conceitos a respeito de tudo, de religião também. Essa época em sua vida é uma das mais importantes na formação de seu caráter e personalidade. 

Imagine por exemplo uma criança em um meio ambiente formado por pessoas adeptas do cristianismo. Logo cedo alguém diz para ela: “olhe, existe ‘alguém’ poderoso, Deus, criador do céu, da noite, das estrelas, do Sol, etc. Plantas, animais, os rios”. É evidente a aceitação, a admissão por parte da criança de informações desse tipo, pois vêm de pessoas importantes para ela e porque, naturalmente, existe uma poderosa capacidade dela em... Acreditar! Uma questão ela pode achar absurda, deixar para lá, poderá ouvir mais o pai e não a mãe sobre um fato religioso, etc. Dá para imaginar a quantidade de conceitos e informações e como são passados a ela de forma inquestionável e absoluta? 

Na escola, com amigos, nas outras cidades e regiões de seu país, com pessoas adultas mal conhecendo-a, etc., todo o seu meio ambiente sintonizado no cristianismo. Ela cresce sendo ensinada do modo como o seu meio ambiente é, e, de uma maneira ou de outra, acredita nas histórias. Seu cérebro se desenvolve com essas informações e é possível, quando jovem ou adulta, passar a estudar e crer em outras religiões. Mas, na maioria dos casos, agora generalizando, terá uma marca permanente desde a infância. Seus neurônios se ligaram formando redes quase indestrutíveis. 

Simplificadamente, para o propósito no qual me dedico a este artigo, os fatos ocorrem desse jeito, com o futuro adulto passando a acreditar nos ritos, dogmas, crenças, etc., do cristianismo, da igreja a ele associada. 

Acreditar é crer, ter como verdadeiro. Fé é crença, crédito, confiança, convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma asserção. A pessoa a qual estou me referindo aprenderá, acreditará e terá fé naquilo ensinado pelos outros, sentindo um poder bem forte a reverenciar o seu Deus para qualquer propósito. 

No meu artigo “O Surgimento de uma religião como uma necessidade humana”, (2) cito um grupo de homo sapiens em uma ilha, no qual ideias sobre de onde vieram, quem são eles, por que estão vivos, para onde irão após a morte, lidar com o bem e o mal, etc., são fatos curiosos e ao mesmo tempo perturbadores. Questionamentos como esses sempre existiram na imaginação das pessoas em todas as épocas e lugares.  

Acredito na possibilidade do equilíbrio emocional ser alterado se as pessoas não tiverem a capacidade em crer e colocar essa vantagem em prática. Naturalmente isso é feito devido a nossa condição quando nascemos, possuindo consciência a despertar por volta dos quatro anos de idade, fé e amor próprio, sendo isso um tema já abordado por mim em “O porquê dos nossos sentimentos” (3) e em “Consciência, amor-próprio, fé e transcendência”. (4) Em minhas palavras no primeiro: “A consciência, indo mais longe, precisa necessariamente de, no mínimo, dois suportes emocionais para perpetuar, duas forças poderosíssimas: a fé e o amor próprio. Qual espécie de seres conscientes conseguiria sua perpetuação se não acreditassem em si mesmos, no seu trabalho, na sua luta diária? Ou, como na maioria dos habitantes do planeta, em algo divino para se apoiarem? E também qual sistema poderia sobreviver se não gostasse de si próprio? Adiantaria um corpo forte em uma mente fraca? Talvez cheguemos a um fato universal: qualquer ser consciente no cosmo terá esse tipo de característica. Talvez não exista nada somente racional.” 

O acreditar pode ocorrer sem a fé. Você acredita em algo, mas não possui fé naquilo, não coloca suas forças e energias se valendo desse sentimento poderoso. Um cristão pode acreditar em Deus mas não ter fé suficiente para seguir sua religião como outros o fazem. Mas ele acredita e acreditar é “tomar como verdadeiro”. Mas como ele possui essa verdade? As definições de tudo de sua religião? Foram passadas, como disse acima, muitas informações, conceitos etc., pelo seu meio ambiente: seus pais, escola, ambientes sociais, etc. E fatos desses tipos acontecem em todo o mundo, em todas as épocas, é válido para tudo criado pelo homem até hoje como deuses, Deus, dogmas, seitas, rituais, religiões, etc. É o relativismo religioso. E meio ambiente não é só a natureza. Para o homem o conceito é amplo, maior que para outros organismos vivos em seus habitats, mesmo possuindo relações sociais sofisticadas em relação a outros, como os primatas. 

Um ateu, embora tenha uma percepção, conseguindo imaginar algo além do mundo material, propriedade essa comum aos humanos, não acredita em deuses ou Deus, influenciando nosso mundo. Não sente nada, “não precisa” e mesmo se sentir alguma coisa poderá rejeitar usando sua lógica, por exemplo. Dirá o seguinte: “é uma invenção da minha mente”. Ele é minoria nas populações porque essas sim necessitam da fé e do acreditar. Agora, ele acredita em si próprio, possui fé em si mesmo, porque se não, ele nem levantaria da cama para viver. Viver em seu conceito básico conhecidos por todos nós: trabalhar, cuidar da família, o lazer, estudar, etc. Acordamos de manhã, levantamos a cabeça e começa um novo dia. Sempre foi assim para nós humanos e sempre será. 

Outra pessoa possui fé inabalável em suas crenças. Seja qual for a sua religião, os ensinamentos passados a ela, os dogmas e rituais são absolutos a ponto de melhorar seu estado emocional quando necessário. 

Isto dá um artigo inteiro, mas, por exemplo, pense na perda de um ente familiar para alguém bem religiosa, no caso, cristã. Poderia ser de outra religião. Ela acredita, possui fé suficiente para pensar, sentir, um “fato” admitido por todos os cristãos: seu familiar estará em um lugar próximo a Deus, na forma de alma ou espírito. Difícil, simplificando o assunto, seria achar alguém tão forte quanto ela. No mínimo suportará a dor como outra cristã praticante. 

Em “E o Homem Criou Deus” (5) eu digo: “É confortante para o homem acreditar em algo superior, transcendental, que o ajude e o ampare. Ter consciência do mundo, da existência de uma separação entre nós e o que nos cerca, pode levar-nos a uma solidão juntamente com uma insuportável crise existencial. O homem não aguentaria viver neste mundo sem algo de superior a acreditar. Mais uma vez, outro 'amortecedor' natural oriundo da fé”. 

Então temos: sentimentos a respeito de onde viemos, quem somos nós, porque estamos aqui e para onde vamos após a morte; uma questão muito importante: como lidar com o bem e o mal?  Por que existem? A impossibilidade de entender o infinito e, aqui, colocando esta questão, também digo: o ser humano sempre buscou algo para justificar, entender a criação. Para o homo sapiens deveria e deve existir algo a criar tudo e como esse tudo não era pequeno, esse “algo” necessariamente seria superior. Ou “algos”, referindo-me a deuses porque a maioria das sociedades humanas até hoje foram politeístas. 

A capacidade humana em acreditar e possuir fé, sociedades a criarem religiões, seitas, crenças, etc., como formas de entender questões cruciais de suas existências, de suas condições por vezes limitadas, etc., se não existissem, comprometeriam o equilíbrio emocional das pessoas. Sem estrutura emocional, sem equilíbrio, você teria uma vida confortável em muitos aspectos? Não. Ele não é necessariamente tudo, mas é muito importante. 

Um sistema complexo, consciente de si, capaz de imaginar por lógica a existência de um mundo além do nosso, teria, na minha opinião, vantagens evolutivas como o acreditar e a fé, a preencher esse outro mundo com seres sobrenaturais capazes de realizações a nosso favor.  

A evolução não se processa só no corpo dos seres vivos; se processa também no comportamento via estruturas neurais, em nossos cérebros, em nossas mentes.  

Referências: 

1 – Argos Arruda Pinto. O porquê dos nossos sentimentos. 2002. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html >. Acesso em: 03/10/2018. 
.
Também no meu blog: “Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências”. Disponível em: < http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/ >. Acesso em: 03/10/2018.  

2 – Argos Arruda Pinto. O surgimento de uma religião como uma necessidade humana”. 2008. Disponível em: <  http://orelativismodasreligioes.blogspot.com/2008/01/o-surgimento-de-uma-religio-como-uma_11.html >. Acesso em: 03/10/2018. 

3 – Argos Arruda Pinto. O porquê dos nossos sentimentos. 2001. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html >. Acesso em: 03/10/2018. 

4 – Argos Arruda Pinto. Consciência, amor-próprio, fé e transcendência - A moderna Teoria da Evolução. 2012. Disponível em: < http://coamoprofetrans.blogspot.com/ >. Acesso em: 03/10/2018. 

5 – Argos Arruda Pinto. E o homem criou Deus. 2007. Disponível em: < www.orelativismodasreligioes.blogspot.com >. Acesso em: 03/10/2018.